Uma amostra da droga do tipo Metanfetamina. Foto de Santos Vilanculos
Maputo, 15 Abr (AIM) – As autoridades moçambicanas apreenderam, em 2025, cerca de 4,4 toneladas de drogas, avaliadas em 181,4 milhões de meticais, uma redução significativa face aos 1,62 mil milhões de meticais registadas em 2024.
A diminuição representa cerca de 1,44 mil milhões de meticais, equivalente a 88,8 por cento.
Falando hoje, em Maputo, durante uma conferência de imprensa, o porta-voz do Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga, José Bambo, explicou que os valores correspondem a uma estimativa do potencial económico das substâncias no mercado ilícito.
“Referimo-nos ao valor que estas drogas poderiam atingir caso circulassem no mercado ilegal”, afirmou.
Na ocasião, Bambo apresentou o Relatório Anual sobre a Evolução do Consumo e Tráfico Ilícito de Drogas em Moçambique, referente a 2025, que aponta a cannabis sativa, cocaína, heroína e metanfetaminas como as principais substâncias apreendidas.
Segundo o documento, as rotas do tráfico mantêm-se estáveis, envolvendo países como Brasil, Índia e Paquistão, com entrada no país por via aérea, terrestre e marítima.
“As rotas são conhecidas e permanentes, o que exige o reforço contínuo das acções de controlo”, referiu.
O relatório indica ainda que Moçambique deixou de ser apenas um corredor de trânsito, passando também a registar um consumo interno crescente, o que agrava os desafios no combate ao fenómeno.
Dados apresentados apontam para um aumento significativo dos casos de consumo de substâncias psicoactivas, sobretudo nas principais zonas urbanas.
A cidade de Maputo registou 11.230 casos, seguida da província de Manica, com 5.951, destacando-se como as áreas com maior pressão sobre os serviços de saúde mental.
No total, 32.281 pessoas foram assistidas nos serviços de saúde mental devido a perturbações associadas ao consumo de drogas, o que representa um aumento de 38 por cento em relação ao ano anterior.
Segundo Bambo, o fenómeno afecta maioritariamente jovens entre os 21 e os 35 anos, que representam 63 por cento dos casos.
“Há também uma tendência crescente de consumo entre adolescentes dos 15 aos 20 anos, o que constitui motivo de preocupação”, alertou.
O relatório aponta ainda o álcool como a substância mais consumida, seguido de drogas ilícitas e psicotrópicos.
No domínio da resposta institucional, a Procuradoria-Geral da República (PGR) registou 387 processos-crime, dos quais 253 resultaram em acusação.
Os tribunais receberam 251 processos, tendo 236 sido julgados, 34 transitado em julgado e 19 permanecem pendentes.
Durante o mesmo período, foram detidos 617 indivíduos por crimes relacionados com drogas, dos quais 604 são nacionais e três estrangeiros, estando actualmente 308 reclusos a cumprir pena em conexão com este tipo de delitos.
(AIM)
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