Agricultura. Colheita de arroz. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 16 Abr (AIM) – O Governo aposta na inovação tecnológica, financiamento e cooperação internacional para reforçar a produção agrícola e enfrentar desafios como o stress hídrico, mudanças climáticas e impacto das cheias no país.
A posição foi defendida hoje, em Maputo, pelo secretário permanente do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Acubar Baptista, à margem do I Congresso “Cultivar o Futuro: Inovação, Tecnologia e Governação na Agricultura”.
Segundo Baptista, uma das prioridades do Executivo é promover uma abordagem científica e sustentável da agricultura, com enfoque na preservação e gestão do solo.
“A base da produção é a terra. Quando não tratamos bem a terra, estamos a comprometer o sector da agricultura”, afirmou.
O governante destacou o stress hídrico como um dos principais constrangimentos, defendendo a introdução de tecnologias para melhorar a gestão da água.
“Temos de encarar a água como um factor de produção e não apenas como chuva”, disse.
De acordo com Baptista, a implementação destas tecnologias será priorizada nas zonas áridas ou com escassez de água, onde os efeitos das mudanças climáticas são mais severos.
“Nessas zonas é onde vamos concentrar os esforços de intervenção”, explicou.
Nas regiões com maior disponibilidade hídrica a estratégia passa por optimizar o uso da água para aumentar a produtividade.
“Podemos passar de uma para duas ou mais colheitas”, acrescentou.
O responsável referiu ainda que o Governo pretende criar linhas de financiamento para toda a cadeia de valor, abrangendo agricultores familiares, pequenas e médias empresas e grandes produtores.
Para o efeito, decorrem negociações com parceiros internacionais, incluindo o Banco Mundial, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Banco Africano de Desenvolvimento.
“Estamos numa fase avançada de mobilização de financiamento, com uma carteira inicial estimada em cerca de 250 milhões de dólares”, disse.
Paralelamente, o Governo está a implementar medidas de emergência para apoiar produtores afectados pelas cheias registadas desde o início do ano, cujos prejuízos estão avaliados em cerca de 400 milhões de meticais.
Por seu turno, a embaixadora de Espanha em Moçambique, Teresa Vidal, reafirmou o compromisso do seu país em apoiar a modernização da agricultura.
“A agricultura é fundamental não só para a segurança alimentar, mas também para o desenvolvimento do comércio e das exportações”, afirmou.
Segundo a diplomata, a cooperação entre Espanha e Moçambique neste domínio dura há cerca de 50 anos.
No âmbito desta parceria, será implementado um projecto de inovação tecnológica para monitorar a produção agrícola através de ferramentas digitais.
O director da organização não-governamental espanhola CESAL, Marcos Garrido, explicou que a iniciativa terá duração de dois anos e um orçamento de cerca de 500 mil euros.
A ferramenta permitirá acompanhar o estado das machambas com recurso a imagens de satélite, reduzindo custos de deslocação ao terreno.
Numa fase inicial, o projecto será implementado nas províncias do Niassa, Cabo Delgado, Gaza e Maputo, com perspectiva de expansão para outras regiões do país.
(AIM)
NL/ sg
