Bloco Operatório Central- sala de cirurgia no Hospital Central de Maputo (HCM). Foto de Carlos Júnior
Maputo, 17 Abr (AIM) – O Ministério da Saúde (MISAU) reafirmou esta sexta-feira, em Maputo, a transformação digital no sector da saúde como prioridade estratégica, defendendo a sua aceleração para garantir maior eficiência, inclusão e qualidade na prestação de cuidados.
Falando no encerramento da 1ª Conferência de Saúde Digital de Moçambique, o ministro da Saúde, Ussene Isse, considerou que o evento constituiu “um verdadeiro marco na história recente do sector da saúde em Moçambique”.
O titular da pasta da saúde sublinhou que os três dias de trabalhos representaram “uma jornada de reflexão, diálogo e construção colectiva” orientada para a definição de novos caminhos para o sistema nacional de saúde.
“Chegámos hoje ao fim de uma jornada que, mais do que um evento, representou um verdadeiro marco na história recente do sector da saúde em Moçambique”, afirmou, acrescentando que o encontro permitiu “lançar as bases de uma transformação estrutural do nosso sistema de saúde”.
Isse destacou que o primeiro dia foi dedicado à análise dos desafios do sector, com enfoque nas fragilidades existentes. “Confrontámo-nos com a realidade, analisámos as fragilidades e assumimos que o modelo actual precisa de evoluir”, disse.
No segundo dia, prosseguiu, foram partilhadas experiências e soluções inovadoras que demonstram o potencial da saúde digital. “A saúde digital não é uma visão distante, é uma realidade concreta, possível e necessária”, afirmou.
Já o terceiro dia foi reservado à consolidação de compromissos e definição de prioridades estratégicas. “Chegámos ao ponto mais decisivo desta caminhada: alinhar prioridades e definir caminhos claros para o futuro”, declarou.
O ministro sublinhou que a tecnologia, por si só, não resolve os desafios do sector, defendendo uma abordagem centrada no cidadão. “A tecnologia deve ser orientada por princípios, guiada por valores e estar, acima de tudo, ao serviço das pessoas”, afirmou.
Isse alertou ainda para os riscos da transformação digital, nomeadamente a protecção de dados, a segurança da informação e as desigualdades no acesso. “Não podemos permitir que a transformação digital aprofunde desigualdades”, advertiu.
Entre os progressos já alcançados, destacou a implementação da Telessaúde, o fortalecimento do sistema DHIS2, a digitalização do Hospital Geral de Mavalane e as respostas durante a pandemia da COVID-19. “Estes avanços demonstram capacidade, visão e determinação”, referiu.
A conferência incluiu um hackathon de saúde digital, que reuniu jovens inovadores. Para o ministro, a iniciativa evidenciou o potencial da juventude moçambicana. “Neste concurso não temos vencidos. O país, o sector e as comunidades são os maiores vencedores”, afirmou.
O ministro apelou, por fim, à tradução dos compromissos em resultados concretos. “O sucesso deste encontro será medido pelas acções concretas que dele resultarem e pelas vidas que conseguirmos salvar”, disse.
“Temos conhecimento, temos parceiros e temos uma visão clara do caminho a seguir. O que precisamos agora é de determinação para avançar”, concluiu.
(AIM)
NL/sg
