Ministro da Saúde, Ussene Isse (direita), recebe donativo de medicamentos do Alto-comissário da Índia em Moçambique, Robert Shetkintong
Maputo, 23 Mar (AIM) – O Governo moçambicano declarou hoje estar em alerta máximo contra o roubo e desvio de medicamentos essenciais, reforçando a vigilância para garantir que os produtos cheguem às pessoas mais vulneráveis.
“É nossa missão garantir que cada medicamento chegue à boca dos moçambicanos que dele necessitam”, frisou o ministro da Saúde, Ussene Isse, na manhã desta segunda-feira (23), em Maputo, momentos após a recepção de cerca de 85 toneladas de medicamentos e materiais médicos doados pela Índia.
O ministro explicou que os medicamentos recebidos incluem tratamento para cancro, anestésicos, antibióticos, luvas e outros materiais médicos essenciais, e que a sua chegada ocorre num momento crítico, em que a procura por medicamentos é elevada.
“Estamos a distribuir rapidamente estes medicamentos para o país, mas todos devem estar alertas. O medicamento é para salvar vidas, não para ser desviado”, disse.
Isse sublinhou que a protecção destes bens é também uma forma de proteger os mais necessitados.
“O nosso objectivo é proteger os mais vulneráveis e garantir que o tratamento adequado chegue a quem realmente precisa. Este é um esforço colectivo que exige disciplina e vigilância de todos”, afirmou.
O ministro acrescentou: “Não podemos permitir que um doente pobre chegue a uma unidade sanitária e não encontre medicamentos. Isso dói o coração e é inaceitável”.
Ussene Isse alertou ainda para o desvio de medicamentos no mercado informal, destacando que os produtos essenciais que faltam nos hospitais acabam circulando nos bairros e farmácias privadas.
“Pedimos à população que denuncie qualquer caso de roubo ou comércio irregular. Precisamos da colaboração de todos para proteger os mais vulneráveis”, afirmou.
O titular da pasta da Saúde detalhou que o Governo está a reforçar os mecanismos de vigilância e controlo, incluindo monitoramento nas unidades sanitárias, sistemas de rastreabilidade e fiscalização de armazéns e farmácias públicas.
“Não haverá espaço àqueles que forem encontrados com medicamentos na sua posse. Ignorância zero ao roubo de medicamentos. Já iniciamos esta ofensiva no país e continuaremos muito fortes nesta ofensiva”, acrescentou.
Sobre a situação de saúde no país, Ussene Isse alertou para o aumento precoce de casos de gripe em 2026 e reforçou medidas preventivas.
O ministro sublinhou que a cooperação com a Índia tem sido fundamental em momentos críticos e destacou a importância do gesto solidário.
“Não é apenas em tempos felizes que os verdadeiros amigos aparecem. A Índia é um parceiro histórico que nos ajuda mesmo nos momentos mais difíceis. Hoje recebemos medicamentos que vão tratar as principais doenças da nossa população e salvar vidas”, afirmou.
O Ministro concluiu reafirmando o compromisso do Governo em garantir que os medicamentos cheguem às unidades sanitárias e à população mais vulnerável, lembrando que o controlo e a vigilância são instrumentos essenciais para proteger vidas.
“Esta é a nossa missão: proteger os mais vulneráveis e assegurar saúde para todos os moçambicanos. Não há outra prioridade maior do que esta”, disse.
Já o Alto-comissário da Índia em Moçambique, Robert Shetkintong, reafirmou a solidariedade do seu país e explicou que a entrega de medicamentos faz parte da terceira e última fase de fornecimento no âmbito da cooperação bilateral.
“Esta entrega representa mais do que medicamentos: é um símbolo da amizade histórica entre a Índia e Moçambique, e um gesto de solidariedade para apoiar a população nos momentos em que mais precisa”, disse.
O Alto-comissário destacou que a Índia tem procurado contribuir não apenas com medicamentos, mas também com materiais de alimentação essencial e outros produtos de apoio às comunidades mais vulneráveis.
“Além desta remessa, cerca de 500 toneladas de arroz e outros produtos alimentares essenciais já estão a caminho do país, para ajudar as populações mais afectadas pelas flutuações climáticas nas regiões sul e centro de Moçambique”, explicou.
(AIM)
SNN/ sg
