Presidente da República, Daniel Chapo, participa de pequeno-almoço com empresários etíopes, em Adis Abeba
Adis Abeba, 28 Abr (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, convidou o empresariado etíope a investir em Moçambique, destacando o vasto potencial do país em recursos naturais de elevada procura no mercado internacional.
Segundo Chapo, o principal objectivo de Moçambique é diversificar a economia, para evitar repetir a experiência de países que, ao descobrirem recursos como o gás natural, negligenciaram sectores vitais, como a agricultura.
“Só depois de descobrirem que afinal tais recursos eram uma ilusão, e que tinham perdido muito tempo, começaram a pensar em outras formas. Agora estamos concentrados em diversificar a nossa economia”, afirmou Chapo.
O Presidente falava esta terça-feira (28), em Adis Abeba, num encontro com representantes de cerca de duas dezenas de grandes empresas da Etiópia, no quadro da visita oficial que efectua àquele país desde segunda-feira.
Na ocasião, o estadista moçambicano destacou oportunidades de investimento nas áreas do gás natural, agricultura, infra-estruturas, economia digital e industrialização, entre outras.
Explicou aos participantes que decorrem no país quatro importantes investimentos no sector do gás natural, que poderão atingir, nos próximos anos, 60 biliões de dólares. Trata-se de dois projectos da italiana ENI, um da francesa TotalEnergies – interrompido devido às acções terroristas em Cabo Delgado – e outro da norte-americana ExxonMobil.
Disse que, embora o terrorismo ainda não tenha cessado por completo, devido à ocorrência de ataques esporádicos, “a segurança foi restabelecida e o projecto (da ENI) está a ocorrer e, neste momento, emprega cerca cinco mil trabalhadores”.
Acrescentou que “a volta destes financiamentos há várias outras oportunidades de negócios”.
“Achamos que pela experiência que os nossos irmãos da Etiópia têm podem vir a Moçambique se inteirar mais. Estamos dispostos para que juntamente com as empresas moçambicanas se faça negócio nesta área”, assinalou.
Fora do gás, segundo o Presidente, Moçambique dispõe de importantes recursos minerais estratégicos, incluindo grafite, lítio, ouro, rubi, areias pesadas, carvão, entre outros. “Vale a pena apostar nesta área em Moçambique”.
Sobre as fontes de energia, referiu-se à Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que abastece grande parte da região da África Austral.
Mas, de acordo com Chapo, “o que está a acontecer, neste momento, é que a demanda na região é muito grande porque com o plano de industrializar a região cresceram as necessidades pelo recurso”.
“Precisamos de mais investimentos para ampliar a actual capacidade de produção, através da energia solar e construção de mais fontes. A grande vantagem é que as linhas de transmissão já foram construídas e pretende-se fornecer o recurso até a RDCongo, passando pela Zâmbia”, anunciou.
Segundo o Presidente, o objectivo é transformar Moçambique num hub regional de energia eléctrica para exportação. “Precisamos de ganhar dinheiro pelo recurso porque a demanda é muito grande. Todos os países vizinhos têm um défice de energia e a solução está em Moçambique”.
Indicou ainda que Moçambique tem activos e mercado, o que se quer é dinheiro para investir”.
Chapo voltou igualmente a destacar o potencial agrícola do país, sublinhando que Moçambique reúne condições para garantir alimentos para consumo interno, abastecer a indústria e agro-processamento, bem como exportar.
Destacou, neste contexto, a existência de cinco grandes bacias hidrográficas, recurso considerado fundamental para o desenvolvimento económico.
Lembrou que, recentemente, esteve na China, onde constatou a existência de um mercado significativo para produtos moçambicanos, referindo que só para a castanha de caju existe um mercado “de milhões de milhões de toneladas de castanha de caju, macadâmia, gergelim”, entre outros produtos cuja exportação passará a beneficiar de taxa zero a partir de Maio.
O Presidente Chapo, que também destacou o transporte aéreo como elemento importante para reforçar as ligações entre Moçambique e a Etiópia, deixa aquele país quarta-feira da semana corrente.
(AIM)
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