Metical. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 26 Mai (AIM) – O Centro de Integridade Pública (CIP) defende a necessidade de Moçambique adoptar medidas estruturais para reduzir a vulnerabilidade da economia à escassez de divisas e às flutuações cambiais.
O destaque vai para o reforço da produção interna, diversificação económica e aumento da capacidade exportadora.
Segundo a economista e pesquisadora do CIP, Teresa Bueno, a actual vulnerabilidade cambial da economia moçambicana exige reformas orientadas para a redução da dependência de importações e fortalecimento da capacidade interna de geração de divisas.
“Recomendamos o reforço da produção interna como tentativa de redução da dependência de importações”, afirmou, durante a apresentação de um estudo sobre os impactos macrofiscais associados à escassez persistente de divisas e à taxa de câmbio no país.
A organização defende a promoção da diversificação económica e da industrialização, associadas ao aumento da capacidade exportadora do país.
“Recomendamos a promoção da diversificação económica, industrialização e aumento da capacidade exportadora”, declarou.
Segundo a pesquisadora, os resultados do estudo mostram que a economia moçambicana permanece estruturalmente vulnerável à pressão cambial, situação que afecta o crescimento económico, o desempenho do sector privado, a inflação e a dívida pública.
“A economia moçambicana é estruturalmente vulnerável à escassez persistente de divisas e às flutuações da taxa de câmbio”, afirmou.
O estudo aponta ainda a necessidade de investimentos em infra-estruturas produtivas, particularmente nos sectores de energia e transportes, considerados essenciais para aumentar a competitividade da economia.
Outra recomendação apresentada está relacionada com o investimento em capital humano e modernização agrícola, com vista a aumentar a produtividade e fortalecer a base produtiva nacional.
A pesquisadora destacou também a necessidade de aperfeiçoar a gestão da dívida externa e reforçar a sustentabilidade fiscal, tendo em conta a vulnerabilidade da dívida pública a choques cambiais.
Segundo os resultados do estudo, a depreciação cambial tende a agravar o peso da dívida pública, sobretudo devido à elevada exposição do país ao endividamento externo.
O CIP recomenda igualmente melhorias no ambiente de negócios, considerando que a persistente escassez de divisas tem condicionado as actividades empresariais e reduzido a capacidade de importação de matérias-primas e equipamentos.
“A melhoria do ambiente de negócios passa também pela resolução da escassez persistente de divisas que temos vindo a assistir”, afirmou.
De acordo com os dados apresentados, empresas entrevistadas no âmbito do estudo relataram redução de cerca de 40 por cento na capacidade de importação e nas suas actividades operacionais devido à dificuldade de acesso à moeda estrangeira.
O estudo refere ainda que mais de 500 empresas encerraram actividades, situação que terá resultado na perda de mais de 15 mil postos de trabalho.
Teresa Bueno explicou que a persistente escassez de divisas e a aparente estabilidade da taxa de câmbio oficial continuam desalinhadas das condições reais do mercado, agravando a vulnerabilidade macroeconómica do país.
O estudo do CIP foi elaborado com base em dados de séries temporais entre 1990 e 2024 e analisou os impactos da escassez de divisas e da taxa de câmbio sobre o crescimento económico, importações, inflação, défice fiscal e dívida pública.
(AIM)
SNN/mz
