Fauna bravia, elefante africano. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 27 Mai (AIM) – A população de elefantes em Moçambique duplicou entre 2018 e 2025, passando de 9.114 para cerca de 21.700 animais.
O fato é resultado da recuperação encorajadora da fauna bravia no país.
O dado foi avançado pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, durante a celebração dos 15 anos da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC).
Segundo o governante, o novo censo nacional de fauna realizado em 2025 mostra uma evolução significativa das populações de animais selvagens, após vários anos de declínio.
“A população de elefantes está estimada em cerca de 21.700 animais, o dobro da registada em 2018”, afirmou.
O ministro recordou que a tendência anterior era de redução acentuada do efectivo de elefantes, que passou de mais de 20 mil animais, em 2008, para cerca de 10.800, em 2014, e 9.114, em 2018.
A inversão da tendência, segundo explicou, resulta do reforço das medidas de fiscalização e combate à caça furtiva, envolvimento das comunidades locais na conservação, programas de reintrodução de fauna e partilha de benefícios associados às áreas de conservação.
Além dos elefantes, outras espécies de grande e médio porte, como búfalos, zebras e hipopótamos, também apresentam sinais de crescimento ou estabilidade populacional, indicam os resultados do censo.
O governante destacou a redução significativa do número de carcaças de elefantes, apontando para uma diminuição da caça furtiva no país.
“Verificou-se igualmente uma redução significativa do número de carcaças de elefantes, o que indica diminuição da caça furtiva”, disse.
Segundo a fonte, os resultados demonstram o impacto positivo da cooperação entre o Governo, parceiros de cooperação, sector privado, co-gestores das áreas de conservação e comunidades locais.
O ministro sublinhou que, pela primeira vez, o sul de Moçambique regista maior concentração de elefantes do que as regiões centro e norte, influenciado pelas áreas de conservação transfronteiriças.
Contudo, advertiu que os dados do norte do país poderão ser subestimados devido à exclusão de algumas áreas do censo por razões de segurança.
Apesar da recuperação da fauna, o Governo alerta para a crescente pressão humana sobre as áreas de conservação, incluindo a expansão de assentamentos, exploração ilegal de madeira e mineração, factores que continuam a degradar habitats naturais.
No mesmo evento, o Executivo anunciou a intenção de avançar com um programa de extracção controlada de fauna no Parque Nacional de Maputo, com o objectivo de evitar desequilíbrios ecológicos associados ao excesso de animais em determinadas áreas.
O programa será implementado em duas fases, com início de um projecto-piloto de maneio ecológico, seguindo-se uma fase de aproveitamento económico no quadro da economia de vida selvagem.
A cerimónia contou com a presença do antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, do Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, directores nacionais, administradores de parques e reservas, parceiros de cooperação e de co-gestão das áreas de conservação e representantes de organizações ambientais.
(AIM)
SNN/mz
