Ressano Garcia (Moçambique), 03 Jun (AIM) – Cerca de 600 moçambicanos afectados pela recente vaga de violência xenófoba na África do Sul receberam hoje, no posto fronteiriço de Ressano Garcia, distrito da Moamba, província meridional de Maputo, assistência humanitária do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD),
Os cidadãos foram posteriormente encaminhados para as suas províncias de origem, sobretudo Maputo e Gaza, no Sul, e Manica e Sofala, centro do país.
A operação incluiu registo, triagem, assistência médica, alimentação, transporte e entrega de kits de apoio para a reintegração familiar.
O vice-presidente do INGD, Belém Monteiro, afirmou que o Governo preparou uma operação de acolhimento dos compatriotas que regressam do país vizinho.
“Estamos aqui à espera dos nossos compatriotas para darmos o conforto desejável nestas situações. Eles chegam, recebem assistência e seguem viagem para os seus locais de origem. Há uma logística preparada para a sua deslocação e, quando chegarem ao destino, receberão também um kit para as suas casas”, afirmou.
Segundo Monteiro, os repatriados receberam alimentação após a triagem e seguiram viagem para as respectivas províncias.
Acrescentou que foram preparados kits alimentares para apoiar as famílias durante 10 a 15 dias, enquanto reorganizam as suas vidas após o regresso ao país.
No momento da sua intervenção, a fonte indicou que 300 cidadãos já tinham sido recebidos e encaminhados para o transporte, de um total de 584 moçambicanos identificados para repatriamento.
“Tudo isto é feito pelo Governo para mitigar o sofrimento que eles passaram ou continuam a passar neste processo”, sublinhou.
Monteiro revelou que a situação na África do Sul já provocou vítimas mortais entre os afectados.
“Até agora temos nove óbitos, infelizmente, e esperamos que este número não aumente. Tudo está a ser feito pelos nossos representantes na África do Sul para que tenhamos menos situações desta natureza”, disse.
Acrescentou que entre os repatriados encontram-se mulheres e crianças, assistidas por equipas especializadas de apoio humanitário e psicossocial.
Entre os casos referidos, encontra-se um bebé com cerca de uma a duas semanas de vida, evidenciando a vulnerabilidade das famílias afectadas.
No grupo de repatriados, multiplicam-se relatos de destruição de bens e fuga para escapar aos ataques.
Adérito Manhiça, de 17 anos, natural do distrito da Manhiça, província de Maputo, contou que abandonou praticamente todos os seus pertences para salvar a vida.
“Levei quase nada. Muitos irmãos e amigos sofreram lá. Queimaram casas, mataram pessoas e tivemos de fugir para lugares mais seguros”, relatou.
Por seu turno, Abrão Cutane, natural da província de Gaza e com destino ao distrito de Chókwè, afirmou que apenas conseguiu recuperar documentos pessoais.
“Começaram a vandalizar, a queimar casas e a matar pessoas. Conseguimos fugir e a polícia levou-nos para outro local. Só recuperei uma pasta”, disse.
Já Domingos Canhane regressou sem os bens acumulados durante meses de trabalho na África do Sul.
“Está mal lá. Perdi tudo o que tinha. Agora só quero voltar para casa”, declarou.
Entretanto, o administrador do distrito de Moamba, Carlos Mussanhane, apelou à solidariedade e à convivência pacífica entre os povos da região, defendendo uma resposta baseada na tolerância e no respeito pela dignidade humana.
“Temos de ser mais tolerantes, mais abertos e conviver. Todos nós temos o direito de ir e vir. Quem trabalha legalmente e contribui para o desenvolvimento merece respeito e dignidade”, afirmou.
Mussanhane acrescentou que o Governo continuará a prestar assistência aos cidadãos afectados e a acompanhar a evolução da situação através das representações diplomáticas moçambicanas na África do Sul.
(AIM)
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