Maputo, 22 Jun (AIM) – O Ministério da Saúde (MISAU) vai endurecer as medidas disciplinares contra profissionais envolvidos em maus-tratos à pacientes, cobranças ilícitas e outras práticas incompatíveis com a ética da profissão, tendo já suspenso cerca de 25 funcionários em diferentes pontos do país.
A formação foi tornada pública, pelo Ministro da Saúde, Ussene Isse, hoje (22), em Maputo, à margem da cerimónia de recepção de 110 cadeiras de rodas oferecidas pelo Banco Comercial e de Investimentos (BCI) aos hospitais centrais, gerais e provinciais do país.
Isse afirmou que os profissionais cujas infracções forem comprovadas deixarão de integrar as fileiras do sector da saúde, por não reunirem condições para prestar assistência à população.
O governante reagia a denúncias de alegados maus-tratos numa unidade sanitária da província do Niassa, cuja verificação levou à suspensão de quatro a cinco profissionais que se encontravam de serviço na ocasião.
Segundo explicou, uma equipa do ministério foi enviada ao local para averiguar os factos e confirmou a ocorrência das irregularidades denunciadas.
“Não vamos tolerar este tipo de atitudes. Estes colegas não farão mais parte das fileiras do Ministério da Saúde porque não estão preparados para cuidar do povo moçambicano”, afirmou.
Segundo o ministro, situações semelhantes já foram registadas em Cabo Delgado, Manica, Nampula e Inhambane, tendo igualmente resultado em medidas disciplinares. Acrescentou que estes casos, embora pontuais, prejudicam a imagem do sistema nacional de saúde e colocam em causa os esforços em curso para melhorar a qualidade da assistência prestada à população.
Por isso, apelou aos cidadãos para continuarem a denunciar casos de mau atendimento, cobranças ilícitas e outras práticas abusivas nas unidades sanitárias, assegurando que todas as denúncias devidamente fundamentadas serão investigadas e objecto das medidas cabíveis.
“A maternidade é um lugar onde salvamos duas vidas, a da mãe e a da criança. É um local onde as pessoas devem ser tratadas com respeito, amor, bondade e profissionalismo”, sublinhou.
Questionado sobre alegações de circulação de medicamentos fora do prazo de validade, Isse revelou que já ordenou uma investigação para apurar a veracidade das informações.
“Os profissionais de saúde estão proibidos de administrar ou vender medicamentos fora do prazo. Se isso estiver a acontecer, iremos tomar medidas”, garantiu.
Relativamente ao abastecimento de medicamentos, reconheceu que ainda existem limitações em algumas unidades sanitárias, mas assegurou que o país dispõe de medicamentos e que novas quantidades estão a chegar gradualmente.
“Já comprámos medicamentos que estão a entrar progressivamente no país. O mês de Julho deverá registar o maior volume de entregas e acreditamos que brevemente a situação estará estabilizada”, disse.
(AIM)
SNN/pc
