Maputo, 17 Jul (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, pediu apoio de Portugal para mobilizar os Estados-membros da União Europeia (UE) para renovar, por mais dois anos, a missão de assistência ao combate ao terrorismo em Cabo Delgado, norte de Moçambique.
Chapo defendeu que a estabilidade de Moçambique constitui um factor essencial para a segurança energética mundial.
O apelo foi formulado no final de um encontro com o Presidente da Assembleia da República Portuguesa, José Pedro Aguiar-Branco, realizado no âmbito da visita oficial de quatro dias que o Chefe do Estado moçambicano efectua àquele país, desde terça-feira.
Segundo Chapo, o encontro permitiu analisar o reforço da cooperação parlamentar entre os dois Estados, o Diálogo Nacional Inclusivo, o papel da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e, sobretudo, a evolução da situação de segurança em Cabo Delgado.
A questão do terrorismo ocupou grande parte das conversações, numa altura em que o actual acordo de assistência entre Moçambique e a União Europeia se aproxima do termo.
“Gostaríamos que em Cabo Delgado houvesse paz e segurança, porque a paz em Cabo Delgado e a segurança em Cabo Delgado são a paz em Moçambique”, afirmou.
Embora tenha reconhecido os progressos registados no terreno, o Presidente observou que continuam a ocorrer ataques esporádicos, responsáveis por novas deslocações de populações e necessidades de assistência humanitária, defendendo, por isso, a continuidade do apoio europeu.
Chapo sustentou que a paz e a estabilidade na província são igualmente indispensáveis para consolidar a confiança dos investidores e garantir o avanço dos grandes projectos económicos.
Referindo-se aos empreendimentos de gás natural na Bacia do Rovuma, o estadista considerou que estes assumem uma importância estratégica que ultrapassa as fronteiras nacionais.
“É importante que o mundo perceba que a paz em Moçambique, a estabilidade política, económica e social em Moçambique e a segurança em Moçambique são a segurança energética do planeta Terra”, declarou.
Acrescentou que, perante o actual contexto internacional, Moçambique pode desempenhar um papel relevante na diversificação das fontes globais de energia.
“Moçambique é uma das grandes alternativas para fornecer gás ao mundo e também uma das grandes alternativas para a segurança energética mundial”, afirmou.
Durante o encontro, Chapo explicou que o Diálogo Nacional Inclusivo decorre num ambiente de estabilidade política, económica e social, com a participação de partidos políticos, organizações da sociedade civil, líderes comunitários e religiosos, associações juvenis e femininas.
As duas partes abordaram ainda o reforço da cooperação parlamentar e questões ligadas à CPLP, incluindo a situação política na Guiné-Bissau, tendo o Presidente moçambicano defendido uma organização mais coesa para fortalecer o diálogo político e a cooperação económica entre os Estados-membros.
(AIM)
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