Maputo, 01 de Set (AIM) – A Primeira-Ministra de Moçambique, Maria Benvinda Levi, intensificou esta segunda-feira os contactos diplomáticos de alto nível em Belgrado, onde foi recebida pelo Presidente da Sérvia, Aleksandar Vučić, e manteve um encontro com o seu homólogo sérvio, Đuro Macut, à margem das comemorações do 65.º aniversário da primeira Conferência do Movimento dos Países Não Alinhados.
A passagem da PM moçambicana pela capital sérvia ficou igualmente marcada por contactos bilaterais com a Presidente do Parlamento da República do Azerbaijão, Sahiba Gafarova, reforçando a dimensão diplomática da participação de Moçambique no encontro comemorativo de alto nível.
No Palácio da Sérvia, Maria Benvinda Levi e Aleksandar Vučić abordaram questões de interesse no âmbito das relações entre Moçambique e a Sérvia. Posteriormente, a Primeira-Ministra reuniu-se com Đuro Macut, num encontro centrado no reforço das relações de amizade e cooperação entre os dois países.
Fora da agenda protocolar, a Primeira-Ministra reservou espaço para ouvir uma parcela da juventude moçambicana que estuda e reside na Sérvia.
No encontro com os estudantes, Maria Benvinda Levi tomou contacto com as experiências vividas pelos jovens, ouviu os desafios que enfrentam longe do país e partilhou informações sobre a realidade política, económica e social de Moçambique.
Um dos momentos de maior interesse surgiu quando um estudante questionou a governante sobre a existência de mecanismos que possam facilitar o enquadramento profissional dos jovens moçambicanos que beneficiam de bolsas de estudo no estrangeiro, depois do regresso ao país.
Numa resposta directa, a ministra vincou que a formação no estrangeiro, por si só, não garante tratamento privilegiado no acesso ao emprego público.
Segundo a Primeira-Ministra, os estudantes formados fora do país são, em muitos casos, submetidos aos mesmos mecanismos de recrutamento aplicados aos candidatos formados em Moçambique.
Perante a preocupação dos estudantes, Maria Benvinda Levi defendeu que a principal vantagem deve estar na qualidade da formação e nas competências adquiridas durante o percurso académico.
“Quanto melhor for o vosso desempenho, isso vai ser uma mais-valia, uma vantagem adicional quando vocês solicitarem emprego”, disse.
A mensagem da governante foi acompanhada de um apelo à preparação e à competitividade. Para Maria Benvinda Levi, os jovens que estudam no estrangeiro devem regressar ao país munidos de conhecimentos capazes de responder aos desafios concretos da economia nacional.
O sector de petróleo e gás foi apresentado como exemplo de uma área em que a formação adquirida em países com experiência e conhecimento avançado pode representar uma vantagem, sobretudo pela capacidade técnica que os estudantes poderão trazer para sectores estratégicos da economia moçambicana.
A Primeira-Ministra apelou ainda aos estudantes para que não encarem as bolsas de estudo apenas como uma oportunidade individual, mas também como uma preparação para contribuir para o desenvolvimento do país.
“Estudem, dediquem-se e estejam preparados para concorrer com outros estudantes moçambicanos, vindos de outras latitudes ou até formados em Moçambique.”
O recado deixado em Belgrado coloca a formação, a competência e a capacidade de responder às necessidades do país no centro das expectativas em relação aos jovens moçambicanos que estudam no estrangeiro.
A agenda da Primeira-Ministra em Belgrado decorre no contexto das celebrações dos 65 anos da primeira Conferência do Movimento dos Países Não Alinhados, ocasião que reúne representantes de diferentes países para assinalar um dos marcos históricos da cooperação entre as nações do chamado Sul Global.
(AIM)
