Maputo, 2 Set (AIM) – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, desafiou hoje o novo Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Dinis Navalha, a contribuir para o reforço do financiamento à economia, preservando a estabilidade macroeconómica e financeira do país.
Falando em Maputo, durante a cerimónia de tomada de posse do novo Governador, Chapo destacou a necessidade de assegurar que a estabilidade económica se traduza em benefícios concretos para a economia real, através do aumento da produção, investimento, criação de emprego e desenvolvimento de sectores como agricultura, indústria, turismo e pequenas e médias empresas.
“O desafio não é escolher entre estabilidade e crescimento. O desafio é contribuir, no quadro das atribuições do Banco de Moçambique, para que a estabilidade seja uma plataforma sólida para o investimento interno e externo, para a produção e para um crescimento económico sustentável e inclusivo”, afirmou.
O Chefe do Estado apontou igualmente como desafios da nova liderança o aprofundamento do funcionamento do mercado cambial e a melhoria do acesso às divisas necessárias para financiar matérias-primas, equipamentos e outras operações indispensáveis à economia.
Segundo Chapo, a resposta estrutural aos constrangimentos cambiais passa pelo aumento da produção e das exportações, diversificação da base exportadora, transformação local dos recursos e atracção de investimento produtivo, defendendo uma maior coordenação entre as políticas monetária, fiscal e financeira.
Outro desafio destacado foi o crescimento da dívida pública interna, que, segundo o Presidente, deve ser acompanhado com prudência para evitar pressões sobre as taxas de juro, a liquidez e os recursos disponíveis para financiar o sector produtivo.
Chapo apelou ainda ao novo Governador para promover um sistema financeiro moderno, competitivo e inclusivo, capaz de acompanhar as transformações tecnológicas, incluindo a digitalização dos pagamentos e o crescimento das empresas de tecnologia financeira, sem comprometer a estabilidade e a segurança do sistema.
Na ocasião, o Presidente da República destacou a experiência de Navalha, que dedicou 28 anos da sua vida profissional ao Banco de Moçambique, onde exerceu diversas funções técnicas e de gestão sénior, incluindo Director de Estudos Económicos e Estatísticas e Administrador.
A cerimónia marcou também o fim do mandato de dez anos de Rogério Zandamela à frente do Banco de Moçambique, período que, segundo Chapo, foi marcado por sucessivos desafios, incluindo pressões cambiais e inflacionárias, ciclones, a pandemia da COVID-19 e os efeitos de conflitos internacionais.
Chapo reconheceu o “patriotismo, dedicação, profissionalismo e sentido de responsabilidade” de Zandamela, agradecendo o serviço prestado ao Estado e ao povo moçambicano.
O novo Governador do Banco de Moçambique assume funções num contexto em que o Governo definiu a construção das bases para a independência económica como uma das suas prioridades estratégicas, apostando na industrialização, diversificação da economia, desenvolvimento de cadeias de valor, infra-estruturas e aumento da capacidade produtiva nacional.
(AIM)
Laura Tembe
