O Governo, através da Administração Nacional de Áreas de Conservação (ANAC), anunciou a disponibilização de 15 milhões de dólares para financiar o projecto “Transformação da Conservação da Vida Selvagem e dos Meios de Subsistência em Escala de Paisagem em Moçambique” (TRANSFORM), que visa reforçar a gestão sustentável da biodiversidade e melhorar as condições de vida das comunidades locais.
O anúncio foi feito esta quarta-feira, em Maputo, pelo director-geral da ANAC, Pejul Calenga, durante o workshop de lançamento do projecto.
Segundo Calenga, um dos principais objectivos do TRANSFORM é transformar a gestão da biodiversidade em paisagens prioritárias, com enfoque nas áreas de conservação de Quirimbas, Marromeu e Gorongosa.
“Este financiamento tem em vista transformar a gestão da biodiversidade nas paisagens de Quirimbas, Marromeu e Gorongosa”, afirmou.
O director-geral da ANAC sublinhou que o projecto aposta igualmente na inclusão das comunidades, através da promoção de meios de subsistência sustentáveis e da valorização da economia da vida selvagem.
“Queremos que estas áreas de conservação sejam veículos para promover meios de vida, apostando na cadeia de valor da economia da vida selvagem, onde a comunidade terá um papel de grande importância”, destacou.
Calenga considera que o TRANSFORM poderá contribuir para reduzir o conflito entre o homem e a fauna bravia, sobretudo em zonas críticas das províncias de Sofala e Niassa, através da criação de alternativas de rendimento e do ordenamento territorial.
“Se pudermos dar oportunidade às famílias de ter algum sustento adicional, conseguimos reduzir a dependência dos recursos naturais e, por essa via, diminuir os conflitos”, explicou.
Por sua vez, o representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Moçambique, Cleophas Torori, afirmou que o TRANSFORM constitui um dos maiores investimentos da Facilidade Global para o Meio Ambiente (GEF) no país, com um financiamento estimado em 15,4 milhões de dólares.
De acordo com Torori, a iniciativa assenta em quatro áreas interligadas: conservação da biodiversidade, combate ao tráfico ilegal de animais, promoção de meios de subsistência sustentáveis e mudança de atitudes em relação à biodiversidade.
“Queremos ir além de bons resultados e alcançar impacto profundo e sustentável para as pessoas de Moçambique”, sublinhou.
O representante do PNUD acrescentou que o projecto terá uma duração prevista de sete anos e pretende melhorar a gestão de mais de três milhões de hectares de paisagens prioritárias, restaurar corredores ecológicos e reforçar a resiliência das comunidades face às mudanças climáticas que afectam o país.
“A participação da comunidade é fortalecida quando as pessoas veem resultados e benefícios tangíveis da conservação”, concluiu Torori.
(AIM)
