Campos de producao agricola totalmente inudados pelas aguas das chuvas no distrito de Chokwe na Provincia de Gaza. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 07 de Ser (AIM) – Quase cinco décadas depois da conquista da independência política, a província Gaza voltou a colocar no centro das celebrações dos Acordos de Lusaka uma questão que permanece por resolver, a conquista da independência económica.
A mensagem dominou as cerimónias do Dia dos Acordos de Lusaka, realizadas na província sob direcção do Secretário de Estado, Jaime Bessa Augusto Neto, num momento em que Gaza procura recuperar dos efeitos das cheias e inundações que atingiram a região nos primeiros meses de 2026 e se prepara para uma campanha agrária marcada pela ameaça de seca e estiagem severas.
O governador da província, Alfeu Constantino Cuna, reconheceu que Moçambique alcançou a independência política, mas advertiu que o país continua confrontado com factores internos e externos que condicionam o seu desenvolvimento.
Segundo Cuna, os fenómenos climáticos extremos constituem actualmente uma das principais ameaças à produção e à segurança alimentar das populações de Gaza.
“Nos primeiros meses deste 2026 a província foi atingida por cheias e inundações cujos efeitos ainda se fazem sentir. Para a campanha agrária 2026/2027, a previsão aponta para seca e estiagem severas, com impacto directo na segurança alimentar e nutricional das comunidades”, frisou.
Ao homenagear os combatentes que participaram nas diferentes frentes da luta de libertação nacional, o governador estabeleceu um paralelismo entre a luta travada pela independência e os desafios que o país enfrenta actualmente.
Para Cuna, se a geração de combatentes conseguiu derrotar o colonialismo, cabe à geração actual assumir uma nova batalha: a do desenvolvimento económico e social.
É neste desafio que Gaza pretende explorar o seu potencial agrário. O governador recordou o papel histórico do Vale do Limpopo, outrora considerado o “celeiro da nação”, defendendo que a agricultura deve voltar a ocupar um lugar estratégico na transformação económica da província e do país.
A aposta, contudo, não deverá limitar-se ao aumento da produção. Na visão apresentada durante as celebrações, o desenvolvimento exige igualmente a expansão de infra-estruturas, o reforço da educação e a melhoria dos serviços de saúde.
Foi neste contexto que Alfeu Cuna apontou a produção como uma das principais formas de materializar os ideais associados ao 7 de Setembro.
Mais do que uma data inscrita no calendário nacional, defendeu, os Acordos de Lusaka devem continuar a inspirar uma agenda de transformação capaz de responder aos problemas concretos das populações.
A mensagem deixada em Gaza é de que, honrar a independência conquistada passa agora por produzir mais, construir mais, formar melhor e garantir melhores condições de vida às comunidades.
Num território simultaneamente marcado pelo potencial agrícola e pela vulnerabilidade aos fenómenos climáticos extremos, a batalha pelo desenvolvimento apresenta-se como uma nova frente de luta, desta vez contra a pobreza, a insegurança alimentar e o subdesenvolvimento.
