Seca em Moçambique
Chimoio (Moçambique), 17 Mar (AIM) – A seca e estiagem que afectaram o distrito de Tambara, na província de Manica, destruíram mais de 25 mil hectares de culturas diversas na presente campanha agrária (2025-2026), comprometendo o esforço de quase dez mil produtores e colocando à prova a resiliência das comunidades rurais.
As perdas incidiram sobretudo sobre o milho, cultura predominante na região, mas também atingiram outras culturas alimentares, num cenário agravado pela irregularidade climática registada numa época tradicionalmente chuvosa.
Dados avançados pelas autoridades locais indicam que o fenómeno afectou directamente 9.750 produtores nas zonas altas dos postos administrativos de Nhacafula e Búzua, onde, segundo as mesmas fontes, “todas as culturas são dadas como perdidas”. No total, cerca de seis mil famílias produtoras foram impactadas, num distrito com forte dependência da agricultura de subsistência.
O director dos Serviços das Actividades Económicas em Tambara, Fernando Kingston, explicou que a situação resulta de uma estiagem prolongada que ocorreu numa fase crítica do ciclo agrícola. “A seca e estiagem devastaram as áreas com milho e outro tipo de culturas. As áreas estão localizadas em Búzua e Nhacafula. Como consequências perdemos todas as culturas”, afirmou.
Segundo Kingston, as perdas ocorreram na fase de maturação, o que agravou ainda mais o impacto, uma vez que os produtores já haviam investido tempo e recursos ao longo de toda a época agrícola.
Apesar do cenário adverso, as autoridades locais mantêm algum optimismo quanto à segurança alimentar no distrito. De acordo com o responsável, as comunidades estão a recorrer às zonas baixas, próximas dos rios, para desenvolver a segunda época agrícola, estratégia que poderá mitigar os efeitos da quebra na produção.
“Em zonas localizadas na parte baixa, teremos uma boa produção. Com isso, podemos afirmar com alguma certeza que não teremos bolsas de fome no nosso distrito”, assegurou Kingston.
O dirigente acrescentou que algumas famílias adoptaram práticas agrícolas resilientes, cultivando simultaneamente em zonas altas e baixas. Esta estratégia permitiu reduzir perdas totais, já que, embora tenham perdido nas áreas mais elevadas, poderão recuperar parte da produção nas zonas húmidas.
“Algumas famílias, estrategicamente cultivaram em zonas altas e baixas. Perderam na parte alta e podem aproveitar na baixa dos rios, dada a experiência das comunidades”, explicou.
Entretanto, um dos principais desafios identificados pelas autoridades distritais prende-se com a disponibilidade de insumos agrícolas, sobretudo sementes melhoradas e de ciclo curto, fundamentais para garantir o sucesso da segunda época.
Nesse sentido, o governo distrital, em coordenação com parceiros, está a mobilizar recursos para apoiar os produtores. “Já lançamos apelo aos nossos parceiros e estamos a ter bons resultados. Muitas famílias estão empenhadas em produzir nas zonas baixas”, disse Kingston, manifestando confiança de que a combinação entre a primeira e a segunda época poderá evitar uma crise alimentar.
O distrito de Tambara, localizado no extremo norte da província de Manica, conta com uma população estimada em cerca de 80 mil habitantes, maioritariamente dedicada à agricultura. Entre as principais culturas destacam-se cereais, feijões, gergelim, amendoim, mapira, mexoeira e hortícolas.
Para a campanha agrária em curso, o distrito tinha como meta produzir cerca de 91 mil toneladas de culturas. Contudo, com as perdas registadas, o alcance desse objectivo dependerá, em grande medida, do desempenho da segunda época agrícola e da capacidade de resposta das comunidades face às adversidades climáticas.
(AIM)
Nestor Magado/ sg
