Maputo, 14 Set. (AIM) – Moçambique e Portugal assinaram, esta segunda-feira, em Maputo, um Memorando de Entendimento para reforçar a cooperação na recuperação, digitalização, conservação, valorização e estudo do património arquivístico-militar dos dois países, num esforço conjunto para preservar a memória dos combatentes e aprofundar o conhecimento da história partilhada.
O instrumento foi rubricado pela Ministra dos Combatentes de Moçambique, Nyeleti Mondlane, e pelo Ministro da Defesa Nacional de Portugal, Nuno Melo, e deverá contribuir para completar registos, confirmar a identidade de combatentes, localizar sepulturas e recuperar documentação histórica relacionada com os diferentes períodos da história dos dois povos.
Moçambique conta actualmente com cerca de 120 mil antigos combatentes da luta de libertação nacional ainda vivos, enquanto Portugal possui perto de 130 mil, realidade que confere particular importância ao trabalho de preservação documental e da memória das gerações que viveram os períodos marcantes da história dos dois países.
Segundo Nyeleti Mondlane, o memorando estabelece as bases para uma cooperação institucional destinada a assegurar que o património arquivístico-militar seja preservado e colocado ao serviço da investigação e da memória colectiva.
“O Memorando de Entendimento hoje assinado estabelece as bases de cooperação entre o Ministério dos Combatentes da República de Moçambique e o Ministério da Defesa Nacional da República Portuguesa na recuperação, digitalização, conservação, valorização e estudo do património arquivístico-militar de ambos os países”, explicou.
O novo instrumento de cooperação deverá permitir às entidades responsáveis pela preservação da história dos dois países aprofundar o trabalho de identificação e registo dos combatentes, incluindo a confirmação de identidades e a localização de sepulturas.
A recuperação de documentação e de outros elementos de arquivo poderá igualmente contribuir para preencher lacunas existentes nos registos históricos e preservar informações consideradas relevantes para o conhecimento do percurso dos combatentes.
Do lado português, o Ministério da Defesa Nacional defendeu a disponibilização dos arquivos aos investigadores, argumentando que a produção histórica deve assentar em documentação que permita confirmar os factos.
“Não se consegue escrever a história com verdade se não a conseguirmos verificar factualmente”, sublinhou Nuno Melo.
Para o ministro português, a assinatura do memorando representa também um passo no processo de aproximação e reconciliação entre Moçambique e Portugal, ao permitir que ambos os países preservem a memória daqueles que participaram nos diferentes momentos da sua história.
“Estamos a honrar aqueles a quem devemos tudo. Realmente, e nisso estamos a construir qualquer coisa. Estamos a preservar a memória”, declarou.
O entendimento entre os dois países surge no contexto das comemorações dos 52 anos dos Acordos de Lusaca, assinados a 7 de Setembro de 1974, na Zâmbia, entre o Estado Português e a FRELIMO, e que reconheceram formalmente o direito do povo moçambicano à independência.
A assinatura do memorando acrescenta, assim, uma nova dimensão à relação histórica entre Moçambique e Portugal, colocando a preservação da memória dos combatentes no centro de uma cooperação que aposta no registo, identificação, conservação documental e localização de sepulturas.
Para além de recuperar documentos e informação histórica, o instrumento procura assegurar que a memória dos combatentes permaneça acessível às novas gerações e possa ser estudada com base em fontes documentais, reforçando a compreensão da história partilhada pelos dois povos.
(AIM)
