Maputo, 31 de Outubro (AIM) – Moçambique figura entre os países com as mais elevadas taxas de prevalência do HIV no mundo, com uma taxa de 12,5 por cento na população adulta com idade igual ou superior a 15 anos.
De acordo com dados apresentados hoje, em Maputo, pelo Gabinete Parlamentar de Prevenção e Combate ao HIV e SIDA, as mulheres são as mais afectadas, com uma taxa de prevalência de 15 por cento, contra 9,5 por cento entre os homens.
“Moçambique apresenta uma das mais elevadas taxas de prevalência do HIV no mundo, sendo a doença uma das principais causas de morte e incapacidade no país”, afirmou Zainaba Andala.
A informação foi avançada durante a apresentação do informe das actividades realizadas entre Maio e Outubro de 2026, no âmbito da IV Sessão Ordinária da Assembleia da República, que decorre em Maputo. Na ocasião, foram igualmente partilhadas experiências parlamentares, recomendações e perspectivas de actuação com vista a reforçar o combate à epidemia.
Segundo o relatório, a distribuição geográfica do HIV não é uniforme, sendo as províncias de Maputo, Manica e Cabo Delgado as que apresentam actualmente maior número de casos no país.
No domínio do tratamento, os dados referentes ao primeiro semestre deste ano revelam que 130.050 pessoas iniciaram a terapia anti-retroviral (TARV), das quais 5.767 são crianças e 124.283 adultos.
Em consequência, a cobertura geral do tratamento situa-se em 87 por cento. Contudo, persistem diferenças significativas entre os grupos etários, com a cobertura a atingir 62 por cento nas crianças dos zero aos 14 anos e 89 por cento nos adultos com idade igual ou superior a 15 anos.
No âmbito da prevenção, 172.315 utentes beneficiaram da profilaxia pré-exposição (PrEP). Paralelamente, cerca de 100 por cento das mulheres grávidas que vivem com HIV e que estão inscritas nas consultas pré-natais receberam tratamento anti-retroviral, uma medida fundamental para prevenir a transmissão vertical do vírus, ou seja, de mãe para filho.
Perante este cenário, a Presidente do Gabinete Parlamentar de Prevenção e Combate ao HIV e SIDA defende o reforço progressivo do financiamento interno destinado à resposta à epidemia, com vista a reduzir a dependência de recursos externos e garantir a continuidade das acções de prevenção, tratamento e acompanhamento das pessoas que vivem com HIV.
“O país precisa de estar preparado para liderar, implementar e monitorar a resposta ao HIV e SIDA de forma independente a longo prazo”, sublinhou Zainaba Andala, acrescentando ser necessário fortalecer as capacidades técnicas, institucionais e financeiras internas.
Além do aumento do financiamento nacional, o Gabinete defende a adopção de reformas legislativas alinhadas com os direitos humanos, bem como uma abordagem integrada para travar a epidemia até 2030.
Durante o debate, os deputados da Assembleia da República apontaram a pobreza como um dos factores que contribuem para a propagação do HIV.
Segundo os parlamentares, a vulnerabilidade socioeconómica expõe muitas pessoas, sobretudo mulheres e jovens em situação de pobreza extrema, a práticas de sobrevivência que incluem a troca de relações sexuais por alimentos ou outros bens essenciais.
“Os elevados níveis de prevalência estão associados à pobreza, que leva muitas pessoas a recorrer à troca de relações sexuais por alimentos ou outros bens essenciais”, afirmou o deputado Hermínio Morais.
O debate do relatório do Gabinete Parlamentar de Prevenção e Combate ao HIV e SIDA marcou os trabalhos do terceiro dia da IV Sessão Ordinária da X Legislatura da Assembleia da República, que contou com a participação de 211 deputados.
(AIM)
Hélia Nhanengue/pc
