Maputo, 17 Set (AIM) – O Governo moçambicano lançou hoje (17) a primeira pedra para o início das obras do sistema de Transporte Rápido por Autocarros (BRT), na Área Metropolitana de Maputo, um projecto avaliado em cerca de 250 milhões de dólares norte-americanos.
“Estamos perante um projecto estruturante, com um investimento de cerca de 250 milhões de dólares norte-americanos, concedidos sob forma de donativo pelo parceiro estratégico, o Banco Mundial”, anunciou o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, durante a cerimónia de assinatura dos contratos para a construção da infraestrutura viária do BRT.
Segundo Matlombe, a cerimónia representa a passagem do projecto à fase de execução, depois da contratação do empreiteiro e da equipa de fiscalização, estando prevista a conclusão das obras em 2028.
“Hoje não estamos aqui para fazer promessas. Estamos aqui para anunciar a boa nova. Que a obra está a começar. Temos já o empreiteiro e a equipa de fiscalização contratados, criando as condições necessárias para iniciarmos esta importante caminhada”, disse.
A primeira fase do projecto vai abranger os municípios de Maputo, Marracuene e Matola, contemplando a construção de um corredor central segregado de cerca de 16,5 quilómetros, ligando a Baixa da cidade de Maputo à Praça da Juventude, em Magoanine, e à Rotunda de Missão Roque, no Zimpeto.
O sistema será complementado por 46 quilómetros de rotas directas e alimentadoras não segregadas, ligando os principais terminais de Maputo, Matola e Marracuene.
O ministro explicou que a intervenção pretende melhorar a mobilidade e a acessibilidade nos principais corredores da Área Metropolitana de Maputo, reduzir o tempo de viagem e o congestionamento, bem como diminuir a sinistralidade rodoviária e as emissões de gases poluentes.
“Com o BRT, queremos um transporte público mais seguro, mais rápido, mais confortável, mais previsível e mais acessível. Queremos reduzir o tempo que os munícipes passam no trânsito. Queremos diminuir os custos das deslocações”, afirmou.
Para a fase inicial de operação, serão adquiridos 71 autocarros eléctricos, equipados com Sistemas Inteligentes de Transporte (ITS), bilhética electrónica, localização automática de veículos (AVL) e informação aos passageiros em tempo real, incluindo através de telemóveis.
Quando estiver plenamente operacional, o BRT deverá transportar cerca de 125 mil passageiros por dia, correspondentes a aproximadamente 40 milhões de passageiros por ano.
Matlombe destacou também os efeitos económicos e sociais esperados, incluindo a criação de emprego directo e indirecto, com particular enfoque na juventude, a dinamização de empresas nacionais e o desenvolvimento de competências.
“O investimento que hoje testemunhamos, não é apenas em betão, estradas e terminais. É um investimento nas pessoas. É um investimento no tempo das nossas famílias, no futuro dos nossos jovens, na produtividade das nossas empresas e na competitividade dos nossos Municípios”, disse.
O governante assegurou igualmente que os actuais operadores de transporte público serão integrados no sistema BRT, sobretudo nas rotas alimentadoras e no modelo de negócio do projecto.
“O BRT não vem para afastar nem para substituir os nossos operadores de transporte público. Pelo contrário, vêm para os integrar, capacitar e elevá-los a um novo patamar empresarial”, garantiu.
O projecto prevê ainda um piloto para a criação e financiamento de empresas operadoras de transporte público geridas especialmente por mulheres, estando estabelecida a meta de que pelo menos 40 por cento dos utilizadores directos sejam mulheres e 35 por cento jovens.
Matlombe apelou ao profissionalismo do empreiteiro, da equipa de fiscalização e das instituições envolvidas, bem como à colaboração dos munícipes durante a execução das obras, particularmente na mitigação dos constrangimentos que poderão ocorrer no tráfego.
O ministro garantiu que o Governo vai acompanhar cada etapa do projecto, com vista a assegurar a qualidade da obra e o cumprimento dos prazos estabelecidos.
(AIM)
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