Antigos guerrilheiros da Renamo exigem a demissão do seu presidente, Ossufo Momade
Maputo, 16 Mai (AIM) – Um grupo de ex-guerrilheiros da Renamo, o segundo maior partido da oposição de Moçambique, está acampado desde quinta-feira (15) na sede nacional do partido, em Maputo, para forçar a demissão do seu líder, Ossufo Momade, e sua direcção por má gestão.
A informação foi avançada hoje em Maputo, pelo representante dos ex-guerrilheiros da Renamo e membro do partido desde 1989, João Machava em conferência de imprensa.
“Estamos acampados aqui em reivindicação. Este nosso assunto pode ser resolvido aqui neste recinto, se ele [Ossufo Momade] aparecer agora e disser que já não é presidente da Renamo”, disse Machava.
Nos últimos meses, os ex-guerrilheiros têm estado a encerrar as delegações provinciais da formação política em protesto contra a liderança de Ossufo Momade.
São pouco mais de 50 membros da Renamo vindos de todo o país que estão acampados na sede do partido, que também reclamam a falta de pagamento de pensões, subsídios, bem como fundos para garantir o funcionamento do partido.
“Estamos aqui porque reivindicamos os nossos direitos dentro do partido com a liderança. Não queremos Ossufo Momade. Se fosse por mim, Ossufo Momade tinha de se demitir ainda hoje por má gestão. Exigimos também a realização do Conselho Nacional do partido que chegou a estar previsto para Março, sendo depois adiado, sem nova data para que se possa escolher um novo presidente”, avançou Machava.
“Tentamos chamar-lhe para uma sentada e ele ignorou. Está a gerir mal o partido desde a entrada dele, não estamos a conversar, eles ainda não abriram nenhuma linha de conversações, a única coisa que eles fazem é o silêncio”, acrescentou.
Os antigos guerreiros anunciaram que caso Momade e a direcção por si liderada não abandonem a liderança, poderão invadir a sua residência para o forçar a abandonar o poder.
“Nós temos dois grupos de colegas que estão a vir das províncias, quando estes se juntarem a nós, vamos dividir o grupo em dois, um vai ficar aqui na sede e outro vai a casa dele, porque a ideia é de forçá-lo a demitir-se. Ele é general, é militar, é colega nosso, então teremos a mesma língua”, afirmou Machava referindo que a vida da Renamo está mal e que o partido está a ir à falência.
O antigo guerrilheiro da Renamo da delegação da província nortenha de Nampula, Edgar Silva, revelou que as acusações à nova direcção não param só na alegada má gestão do partido, pois dizem estar a ser alvos de perseguição e assassinatos.
“Estamos perante um partido que tem esquadrões de morte. Nós combatentes da Renamo em Nampula estamos a ser perseguidos por grupinhos que o senhor Ossufo montou”, acusou.
Os antigos guerrilheiros salientaram ter chegado à capital do país sem nada para comer, que estão dispostos a dormir no chão para resgatar os ideais de Afonso Dhlakama, líder histórico do partido.
Ossufo Momade, cuja liderança já tinha sido questionada, assumiu a presidência da Renamo em Janeiro de 2019, após a morte do líder histórico e fundador do partido Afonso Dhlakama (1953-2018), e foi reeleito para o cargo em Maio de 2024, num processo fortemente contestado internamente.
(AIM)
Fernanda da Gama (FG) /sg
