Secretário permanente do Ministério da Saúde, Ivan Manhiça (centro)
Maputo, 2 Out (AIM) – Mais de 17 mil pessoas morrem, todos os anos, em Moçambique devido ao cancro, enquanto cerca de 26 mil novos casos são diagnosticados, segundo dados divulgados hoje (02), em Maputo, pelo secretário permanente do Ministério da Saúde (MISAU), Ivan Manhiça.
De acordo com o governante, os tipos de cancro mais comuns são do colo do útero, da mama, da próstata, sarcoma de Kaposi, cancro pediátrico, além de outros associados ao HIV-SIDA, que juntos representam cerca de 60 por cento dos casos registados.
“Estudos recentes revelam que o cancro, com peso de oito por cento, já é a segunda causa de morte em indivíduos com idade compreendida entre 15 e 49 anos, e a primeira em pessoas com mais de 50 anos”, sublinhou.
Manhiça apontou o desconhecimento dos sinais iniciais e a falta de procura regular pelos serviços de saúde para rastreio como principais causas de diagnóstico tardio. “Esse atraso resulta em muitas mortes que poderiam ser evitadas”, advertiu.
A nível global, em 2022 foram registados 19 milhões de novos casos de cancro e 10 milhões de mortes. As projecções apontam para um aumento para 29,5 milhões de novos casos e 16,4 milhões de mortes até 2024, sendo que 70 por cento dessas mortes ocorrerão em países de baixa renda.
“O cancro é um problema de saúde pública com incidência e mortalidade que afectam de maneira significativa os países de baixa renda, onde se verificam aproximadamente 70 por cento das mortes”, frisou.
Manhiça destacou que o cancro “é uma das maiores batalhas de saúde pública dos tempos actuais”, sublinhando que não se trata apenas de um desafio clínico, mas também de “uma questão de equidade, de justiça social e de dignidade humana”.
“Cada diagnóstico é uma história interrompida, cada perda é um vazio nas famílias, cada sobrevivente é um testemunho de esperança”, afirmou.
O secretário permanente garantiu que o MISAU, em coordenação com o Gabinete da Primeira-Dama e com o apoio dos parceiros está a reforçar os programas de rastreio, capacidade dos serviços de saúde, disponibilidade de medicamentos e rede de apoio às famílias, com vista a melhorar o diagnóstico e o tratamento.
“Nos últimos anos, o nosso Governo, com o apoio dos parceiros, tem conseguido proporcionar melhor diagnóstico, tratamento e apoio aos pacientes com esta patologia”, acrescentou.
Contudo, reconheceu que persistem “desigualdades no acesso ao diagnóstico precoce, lacunas no tratamento em determinadas regiões e um fardo emocional e económico que pesa sobre milhares de famílias”.
Manhiça apelou ao reforço do engajamento colectivo para transformar fragilidades em oportunidades de acção.
“Devemos fortalecer a rede de cuidados em todo o território, garantindo que nenhum cidadão fique para trás, independentemente da sua condição económica ou local de residência. E temos de continuar a investir na investigação e na inovação. O futuro da luta contra o cancro será cada vez mais determinado pelo conhecimento científico, pela tecnologia e pela capacidade de transformar descobertas em soluções acessíveis”, concluiu.
(AIM)
SNN /sg
