CFM no terreno a avaliar os danos na linha do Limpopo
Maputo, 01 de Fev (AIM) – Os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), na região sul, registam prejuízos superiores a 40 milhões de dólares norte-americanos, na sequência dos danos provocados pelas chuvas intensas que afectaram as linhas férreas do Limpopo, Ressano Garcia e Goba.
A situação mais crítica verifica-se na linha do Limpopo, que assegura a ligação ferroviária entre Moçambique e o Zimbabwe, onde foram identificados quilómetros de via submersos, cortes extensos, passagens hidráulicas destruídas e troços suspensos, comprometendo seriamente a circulação de comboios entre os dois países.
A informação foi avançada esta semana pelo director de engenharia dos CFM, Frederico Jorge, em entrevista à AIM, durante uma visita técnica de avaliação aos pontos críticos da linha do Limpopo, na província de Gaza.
Embora o levantamento definitivo ainda esteja em curso, os CFM estimam que só neste troço os custos de reabilitação rondem os 40 milhões de dólares.
“Estamos assim num custo, mais ou menos, de 40 milhões de dólares, mas ainda não é um levantamento preciso. Precisamos que o nível das águas baixe para termos uma avaliação mais exacta”, disse Frederico Jorge.
Segundo o responsável, a análise preliminar revela um cenário de destruição significativa ao longo de vários distritos, com destaque para Magude, Chókwè, Mapai e Chicualacuala, afectando directamente a circulação ferroviária e o corredor internacional Moçambique-Zimbabwe.
“Neste momento, temos cerca de 22 quilómetros de via submersos na zona sul e, no total, quase quatro quilómetros de linha suspensa. Os danos estão muito avultados”, afirmou Frederico Jorge.
Durante a verificação no terreno, a equipa técnica dos CFM composto por membros do conselho de administração da empresa, diretores e engenheiros, percorreu cerca de 173 quilómetros, desde Maputo até à zona de Mutasse, limite entre os distritos de Magude e Chókwè, onde foi identificado um dos primeiros cortes visíveis.
“Aqui temos um corte numa extensão de cerca de 100 metros, mas mais adiante existem vários outros. Neste momento ainda não somos capazes de quantificar exactamente todos os danos”, explicou.
Os prejuízos resultam essencialmente do fenómeno técnico conhecido como ‘wash away’, provocado pelo volume excessivo de água que ultrapassou a capacidade das passagens hidráulicas existentes, colocando as infra-estruturas numa situação crítica, com aterros destruídos e carris suspensos, exigindo intervenções profundas.
“Tivemos um volume maior de água nas zonas adjacentes da linha. O sistema de passagens hidráulicas não teve capacidade de encaixe e o que aconteceu foi a lavagem de todo o sistema que compõe a linha férrea, desde os aterros até à sub-estrutura”, detalhou.
Em termos de reposição da linha, o responsável indicou que, os trabalhos poderão durar entre 30 a 40 dias, sendo executados de forma faseada. Apesar da gravidade dos danos, parte do material ferroviário poderá ser reutilizado.
Para evitar situações semelhantes no futuro, os CFM defendem a ampliação e redimensionamento das passagens hidráulicas, tendo em conta as alterações na hidrologia da região.
Além da linha do Limpopo, as linhas de Ressano Garcia e Goba também registaram situações críticas entre os dias 11 e 19 deste mês, igualmente devido às chuvas intensas.
Na linha de Ressano Garcia, ocorreram cortes no quilómetro 15, na zona conhecida por Daniel, e no quilómetro 71, próximo de uma ponte, obrigando à suspensão temporária dos comboios.
(AIM)
Paulino Checo/
