António José Seguro (esquerda) e André Ventura
Lisboa, 08 Fev (AIM)- Mais de 11 milhões de eleitores portugueses são chamados este domingo (08) a votar na segunda volta das presidenciais para eleger o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, numas eleições realizadas com previsão de mau tempo, chuva e vento.
O próximo Presidente da República toma posse a 09 de Março.
Disputam a segunda volta António José Seguro, antigo Secretário-geral do Partido Socialista, apoiado pelo PS e todos os partidos de esquerda, bem como algumas figuras de direita, como o ex-presidente da República, Aníbal Cavaco Silva (PSD), o antigo líder do Partido Social-Democrata (PSD), Luís Marques Mendes, candidato derrotado na primeira volta, entre vários, e André Ventura, apoiado pelo Chega, um partido da direita radical, três semanas depois do primeiro sufrágio em que foram os dois mais votados, em 18 de Janeiro.
António José Seguro venceu a primeira volta das presidenciais, realizadas a 18 de Janeiro, com 31,11 por cento dos votos. André Ventura, que é igualmente líder do Chega, foi o segundo candidato mais votado, com 23,52 por cento. Na segunda volta escolhe-se o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa,
Marcelo Rebelo de Sousa apela ao voto
O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhou na noite deste sábado (07) que “votar amanhã (esta domingo- 08) chama-se vencer a calamidade e refazer o nosso futuro”.
Numa declaração ao país, na véspera da segunda volta das eleições presidenciais, Marcelo Rebelo de Sousa apelou à participação dos portugueses no acto, num contexto de danos materiais e humanos causados pela sucessão de intempéries dos últimos dias. A comunicação, a partir de Belém, foi transmitida em directo pelas televisões às 21h00 locais (23h00 em Maputo).
“Hoje, como sempre, falo para todos vós, mas falo em especial para os que perderam familiares e próximos, os que ficaram sem casa ou sem casa sem condições para nela viverem, os que perderam culturas agrícolas, lojas, oficinas, fábricas, os que ficaram dias e noite sem água, luz, telefone, os que viram florestas vergarem, os que sofreram e sofrem cheias imprevisíveis, os que desanimaram, tiveram medo, se sentiram isolados, angustiados ou desesperados”, disse o chefe de Estado português.
“A todos vós e a todos os que vos têm dado o que podem e não podem agradeço a resistência, a coragem, a determinação de não ceder, de não desistir, de não largar um centímetro do que é vosso”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa, na sua declaração ao país..
Ainda sobre a sucessão de intempéries dos últimos dias, o Presidente da República recordou “a resposta dada no dia 1 de Fevereiro, quatro dias apenas depois da calamidade de 28 de Janeiro”: “A vossa resposta foi votarem, votarem em massa e também nas áreas devastadas, também no voto antecipado, tal como há cinco anos foi votarem em pandemia, em todo o país, sem vacinas, com hospitais a transbordarem, com mortes a subirem, com contágios a galoparem”.
“Nascemos para resistirmos e resistirmos até vencermos. Somos um país de lutadores. Votar amanhã (domingo) é como votar na pandemia em estado de emergência, ou agora, quatro dias depois da tragédia”, continuou.
“Votar amanhã chama-se vencer a calamidade e refazer o nosso futuro. Votar amanhã chama-se liberdade. Votar amanhã chama-se democracia. Votar amanhã chama-se, acima de tudo, Portugal”, disse Marcelo.
Horas antes desta comunicação a partir de Belém, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) apelara já à participação na segunda volta das presidenciais, apesar das previsões de mau tempo, defendendo que fossem facultadas as “melhores condições” para tal.
A CNE sublinhou que “tem cooperado com todas as entidades” no sentido de que “sejam criadas as melhores condições para garantir um exercício de um direito que é fundamental”, mesmo com “circunstâncias adversas em alguns locais”.
A estrutura recomendou a organização de “transportes públicos especiais, na medida do possível, para eleitores que se encontrem em zonas onde a mobilidade possa vir a ser afectada”.
Sete municípios já pediram para adiar a segunda volta.
Balanço provisório dos danos materiais e humanos provocados por três tempestades em duas semanas
Subiu para 14 o número de mortes, incluindo uma cidadã moçambicana (Helda Zeca Muianga), desde a semana passada na sequência da passagem das depressões “Kristin”, “Leonardo” e “Marta”, que provocaram também muitas centenas de feridos (inclui moçambicanos) e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte e corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
A depressão “Marta”, que afectou o país este sábado (07), a terceira em duas semanas, trouxe chuvas e vento fortes, mas este domingo (08) será um dia “mais pacífico”, segundo os serviços meteorológicos.
Para a semana, a precipitação volta em força e avizinham-se “dias críticos”. A Protecção Civil alerta que há rios “de norte a sul” com potencial elevado de cheias.
As 19h00 locais (21h00 em Maputo) deste sábado, a empresa E-Redes registava cerca de 124 mil clientes sem energia eléctrica nas zonas afectadas pela depressão “Kristin”, um aumento exponencial face aos cercas de 56 mil de que havia registado pelas 3h00 da madrugada. No total do território português, há 167 mil clientes sem energia.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afectadas.
O Governo português prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
(AIM)
DM
