Presidente da República, Daniel Chapo, faz um selfie I Conferência Nacional sobre Transformação Digital, em Maputo
Maputo, 11 Fev (AIM) – A integração total dos sistemas informáticos da administração pública foi hoje (11) apontada como condição essencial para pôr fim à fragmentação digital, melhorar a eficiência dos serviços e aproximar o Estado do cidadão, durante a abertura da Primeira Conferência Nacional sobre Transformação Digital, em Maputo.
Intervindo na sessão de abertura, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, alertou para os riscos da existência de “ilhas tecnológicas” nas instituições públicas, defendendo que “não devem existir ilhas tecnológicas dentro do nosso Estado”, numa referência a sistemas que não comunicam entre si, bases de dados que não se integram e serviços que se duplicam.
Segundo o Chefe do Estado, a fragmentação digital compromete a eficiência da administração pública, aumenta os custos operacionais e prejudica o acesso dos cidadãos aos serviços essenciais. “Não é aceitável que o cidadão seja obrigado a circular entre várias instituições para tratar de um único documento ou serviço, tornando-se, na prática, mensageiro de uma administração que deveria estar integrada em pleno século XXI”, disse.
O governante recordou que muitos moçambicanos continuam a enfrentar longas filas e deslocações para obter documentos básicos, advertindo que “enquanto tal persistir, estaremos a falhar na nossa missão de servir o povo moçambicano”.
Chapo sublinhou que a integração digital assume importância acrescida em contextos de calamidades naturais. “Sem digitalização, comprometemos a protecção de vidas e a memória colectiva da nação moçambicana”, frisou, explicando que a ausência de sistemas articulados reduz a capacidade de resposta do Estado e fragiliza a continuidade administrativa.
Para enfrentar estes desafios, apela as instituições públicas para reforçarem a articulação e a interoperabilidade, alinhando-se sob a liderança do Ministério das Comunicações e Transformação Digital. “O século XXI não é o século das instituições isoladas; é o século das instituições interligadas”, declarou.
No âmbito das reformas em curso, anunciou a constituição de uma Comissão Técnica Multissectorial dos Serviços Digitais, com mandato para mapear sistemas existentes, eliminar redundâncias e propor um roteiro nacional de integração.
O Presidente defendeu que “apenas com sistemas interligados será possível construir um Estado eficiente, transparente e orientado para o cidadão, capaz de reduzir a burocracia, melhorar o ambiente de negócios e combater práticas indevidas”.
O evento de dois dias, que decorre sob o lema “Rumo a um Estado Moderno, Digital e Centrado no Cidadão”, conta com a participação de governantes, membros de organizações da sociedade civil e representantes do sector privado.
(AIM)
SNN /sg
