Producao agricola de feijao verde. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 22 Mai (AIM) – O distrito de Angónia, na província central de Tete, em Moçambique, poderá contar brevemente com uma fábrica de processamento de sementes certificadas, numa iniciativa que visa reforçar a produção agrícola e responder às reclamações dos produtores sobre o elevado custo dos insumos.
Segundo as autoridades distritais, decorrem actualmente trabalhos de reestruturação contratual com a empresa responsável pela implementação do projecto, considerado estratégico para um dos principais celeiros agrícolas do país.
O director do Serviço Distrital de Actividades Económicas de Angónia, Leovigildo Matchissa, afirmou que a futura unidade industrial deverá reduzir parte dos constrangimentos enfrentados pelos agricultores no acesso a sementes melhoradas.
“Ao entrar em funcionamento, a fábrica vai resolver parte da preocupação dos agricultores na componente das sementes melhoradas”, afirmou.
O responsável reconheceu, contudo, que persistem desafios relacionados com o elevado preço dos fertilizantes, apontando a necessidade de instalação de uma unidade fabril local para reduzir os custos de produção agrícola.
“Os fertilizantes no distrito têm preços elevados e isso acaba por penalizar as famílias produtoras”, disse.
Segundo explicou, o preço de um saco de 50 quilogramas de fertilizante varia actualmente entre 3.000 e 3.700 meticais, dependendo da época agrícola.
“É uma reclamação legítima, porque os preços oscilam bastante”, sublinhou.
Matchissa considerou que a instalação de uma fábrica de fertilizantes em Angónia representaria “mais uma valia” para o distrito, permitindo reduzir os custos de aquisição e aumentar a rentabilidade da actividade agrícola.
Produtores locais ouvidos pela Rádio Moçambique defenderam igualmente a necessidade de criação de unidades de processamento de sementes e fertilizantes, alegando que os elevados custos dos insumos contrastam com os baixos preços de comercialização agrícola.
“A semente do milho estamos a comprar a 200 meticais e o adubo custa mais de três mil meticais, mas depois vendemos o milho a preços baixos. Isso não é rentável”, lamentou o produtor Adolfo Carma.
Angónia é considerado um dos principais distritos agrícolas da província de Tete, destacando-se na produção de milho, feijão e outros cereais.
(AIM)
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