Desnutrição crónica em crianças moçambicanas. Foto arquivo
Maputo, 30 Mai (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu, em Maputo, representantes da Plataforma da Sociedade Civil para o Movimento SUN (Scaling Up Nutrition) e da Associação de Nutrição e Segurança Alimentar, num encontro dedicado ao reforço das políticas de nutrição e segurança alimentar no país.
A audiência serviu para discutir mecanismos de aumento do investimento público no sector, melhoria da coordenação intersectorial e adopção de políticas sustentadas em evidências científicas, numa altura em que os índices de desnutrição continuam a preocupar organizações nacionais e internacionais.
Falando à imprensa no final do encontro, ocorrido esta semana, a representante da Plataforma SUN, Carina Ismael, explicou que o movimento integra uma iniciativa global orientada para a redução de todas as formas de desnutrição nos países aderentes, através do fortalecimento das políticas públicas ligadas à nutrição.
Segundo afirmou, em Moçambique o processo é liderado pelo Estado, cabendo às instituições governamentais a coordenação das acções. “Quem faz a coordenação ao nível nacional são os governos”, declarou.
Sublinhou a necessidade de uma articulação mais eficiente entre os diferentes sectores envolvidos.
A responsável recordou ainda que a sociedade civil trabalhou anteriormente na elaboração do chamado “Manifesto da Nutrição”, documento concebido para colocar o tema entre as prioridades nacionais e assegurar a sua integração nas agendas governativas desde as fases iniciais de definição das políticas públicas.
Durante o encontro, a Plataforma SUN manifestou preocupação com o actual nível de financiamento destinado à nutrição e segurança alimentar.
De acordo com Carina Ismael, “cerca de 0,85 por cento do Orçamento do Estado” é actualmente canalizado para áreas relacionadas com a nutrição, valor considerado insuficiente face aos desafios existentes.
A organização defende, por isso, um aumento gradual do investimento público no sector.
“O ideal seria atingir 1,7 por cento do nosso Orçamento do Estado”, afirmou, acrescentando que uma meta intermédia aceitável seria “pelo menos chegar a um por cento”.
Para além da questão financeira, os representantes da sociedade civil defenderam a necessidade de transformar a nutrição e segurança alimentar numa prioridade nacional estruturante, acompanhada de maior produção de dados e investigação científica para apoiar a formulação de políticas públicas.
Segundo a Plataforma SUN, uma coordenação mais eficiente entre os vários sectores do Governo permitiria evitar duplicações de esforços e garantir maior impacto das intervenções junto das comunidades mais vulneráveis.
Ismael revelou ainda que o Chefe do Estado manifestou abertura para a continuidade do diálogo e para o reforço progressivo das políticas de nutrição, posição interpretada pelos participantes como sinal de compromisso político com a integração do sector nas prioridades nacionais de desenvolvimento.
As partes acordaram igualmente manter mecanismos de acompanhamento técnico e articulação institucional para assegurar a implementação gradual das propostas apresentadas, com enfoque na mobilização de recursos, coordenação intersectorial e monitoria dos resultados alcançados.
No balanço final da audiência, a representante da Plataforma SUN classificou o encontro como
“extremamente positivo”, assegurando que haverá continuidade na colaboração entre o Governo e a sociedade civil. “Vamos trabalhar juntos, vamos colaborar, vamos dar seguimento”, declarou.
(AIM)
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