Embaixadora da Finlândia, Satu Lassila. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 13 Mai (AIM) – Representantes de organizações da sociedade civil (OSC) e parceiros de cooperação defendem reforço da legitimidade, capacidade de intervenção e proximidade das OSC com comunidades, face aos desafios sociais, políticos e económicos que Moçambique enfrenta.
As posições foram apresentadas esta quarta-feira (13), em Maputo, durante o 2º Congresso das OSC, que decorre sob o lema “Fortalecendo a Sociedade Civil: Parcerias, Sustentabilidade e Inovação para o Desenvolvimento Inclusivo”.
Intervindo na sessão de abertura, Estévão Neves, membro das OSC, afirmou que as organizações continuam a desempenhar “um papel fundamental na promoção da participação cidadã, na defesa dos direitos humanos e na construção de soluções comunitárias”.
Segundo Neves, o país enfrenta desafios sociais, económicos e humanitários que exigem maior capacidade de adaptação e coordenação das organizações.
“As plataformas provinciais reconhecem que ainda persistem desafios significativos, sobretudo no que diz respeito à sustentabilidade das organizações, acesso ao financiamento e ao reforço da confiança pública”, disse.
Por sua vez, a representante da Plataforma Juntos, Lina Inglês, destacou os esforços de capacitação levados a cabo pela rede, sublinhando que mais de 90 mil pessoas já beneficiaram directamente das iniciativas implementadas em diversas províncias do país.
“Temos estado a criar espaços onde as organizações da sociedade civil possam, efectivamente, dialogar mais e construir soluções conjuntamente com as comunidades”, explicou.
Inglês acrescentou que actualmente decorrem dez iniciativas de inovação, envolvendo 23 organizações, para além de webinários e acções de formação destinadas ao fortalecimento institucional.
Já o director executivo do Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), Hermenegildo Mulhovo, alertou para a necessidade de as OSC recuperarem a confiança dos cidadãos, sobretudo após as manifestações pós-eleitorais registadas no país.
“Durante as manifestações, muitos cidadãos não usaram a sociedade civil como canal para apresentar as suas preocupações. Isso deve preocupar-nos bastante”, afirmou.
Para Mulhovo, o maior desafio das organizações não é apenas financeiro, mas também de relevância social.
“A legitimidade da sociedade civil não pode depender exclusivamente da implementação de projectos ou do reconhecimento internacional. Ela constrói-se na capacidade de escutar o cidadão e responder às prioridades reais das comunidades”, frisou.
O responsável defendeu igualmente a modernização das formas de actuação das OSC, considerando o impacto crescente das plataformas digitais na mobilização social e no debate público.
No entanto, a directora executiva da Fundação MASC, Maura Martins, disse que o congresso pretende consolidar um espaço permanente de diálogo entre sociedade civil, Governo, sector privado e academia.
“Queremos que este congresso não seja um evento isolado, mas um espaço contínuo de reflexão, debate e construção de soluções colaborativas”, declarou.
Martins reconheceu, contudo, que muitas organizações enfrentam dificuldades de visibilidade, apesar do trabalho desenvolvido junto das comunidades.
Por seu turno, a embaixadora da Finlândia em Moçambique, Satu Lassila, reiterou a importância de uma sociedade civil “forte, activa e independente” para o fortalecimento da democracia.
“Uma sociedade civil forte não constitui um obstáculo ao Estado. Pelo contrário, é um parceiro indispensável na construção de uma sociedade mais justa e estável”, afirmou.
Lassila defendeu ainda reformas concretas que reforcem a confiança nas instituições públicas e garantam um ambiente seguro para a actuação das organizações da sociedade civil e defensores dos direitos humanos.
(AIM)
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