Maputo, 05 Jun (AIM) – O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) reafirma que o executivo moçambicano prevê enormes oportunidades de negócios para empresas nacionais no projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL).
O projecto prevê gastar cerca de 4.5 a 5 mil milhões de dólares norte-americanos na contratação de bens e serviços a fornecedores locais.
Segundo o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Rafael, na componente de formação está prevista a capacitação de 15.734 nacionais, com uma despesa orçada em 126 milhões de dólares norte-americanos.
O ministro, que falava sexta-feira (05), em Maputo, no “Business Breakfast”, um espaço privilegiado de diálogo franco, construtivo e estratégico entre o governo e o sector privado, disse que na capacitação de pequenas e médias empresas prevê-se 355 empresas, na fase de construção, e aproximadamente 1500 empresas, na fase de operação.
Referiu que o conceito resultante de seis concursos de concessão da área de pesquisa de hidrocarbonetos abre uma nova frente, permitindo que as empresas nacionais se posicionem desde a fase inicial do ciclo petrolífero, acompanhem a geração de dados técnicos e compreendam as necessidades, operações futuras dos projectos e se preparem para integrar cadeias de financiamento mais complexas.
Fez saber que o desafio recente no mercado de energia devido às tensões geopolíticas e a volatilidade dos preços de combustíveis reforçam a necessidade de acelerar as soluções com o gás natural veicular, conversão do gás em energia, expansão da mobilidade elétrica urbana e rural.
“Quando falamos da exploração dos nossos recursos não devemos limitar-nos na análise ao potencial existente, nem apenas ao volume. Queremos que às empresas moçambicanas participem para que se alcancem esses objectivos “, disse.
Por outro lado, o governo reforçou o quadro regulatório incluindo a lei de conteúdo local para área de hidrocarbonetos com metas sectoriais progressivas, vinculativas, mensuráveis pela categoria de bens e serviços, qualificações e penalização para situações de incumprimento.
“Devemos igualmente deslocar os projectos de gás natural veicular, canalização de gás para o mercado doméstico que abrem oportunidades para o sector privado”, disse.
O executivo pretende com os biocombustíveis responder gradualmente aos condicionantes impostos pela volatilidade do mercado internacional do petróleo, criando uma janela para o empresariado nacional.
Outra medida aprovada pelo governo tem que ver com a criação de conteúdo local para apoiar os mecanismos de certificação, promoção de igualdade e facilitar a transferência de conhecimento.
Relativamente ao financiamento, espera-se que seja através de mecanismos específicos, incluindo linhas de crédito para Pequenas e Médias Empresas, fornecedoras do sector extractivo.
Por sua vez, o Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, informou que, actualmente, o país encontra-se numa encruzilhada histórica.
“Poucos países no mundo reúnem simultaneamente recursos minerais abundantes, reservas de gás natural de dimensão mundial, elevado potencial energético, vastas terras aráveis e uma localização geoestratégica, privilegiada para servir mercados regionais globais”, afirmou.
Anotou, como desafio, que a utilização estratégica do gás natural não reside apenas na sua exportação sob forma de GNL, mas sobretudo na capacidade de impulsionar a industrialização, dinamizar cadeias de valor e fortalecer a competitividade da economia nacional.
Por isso, o sector empresarial moçambicano defende que o gás doméstico seja disponibilizado em quantidades adequadas, mecanismos claros, eficientes e preços competitivos para a indústria nacional.
(AIM)
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