Maputo, 29 Jun (AIM) – O Governo e os parceiros de cooperação pretendem encontrar o modelo de irrigação agrícola mais adequado para Moçambique, capaz de responder às necessidades dos diferentes perfis de produtores e garantir maior eficiência, sustentabilidade e rentabilidade dos investimentos no sector.
Para impulsionar este processo, foi lançada esta segunda-feira, em Maputo, a Plataforma de Irrigação de Moçambique (PIM), um mecanismo permanente de diálogo que reúne Governo, sector privado, academia, sociedade civil e parceiros de desenvolvimento para coordenar e repensar as políticas e estratégias de irrigação no país.
O posicionamento foi apresentado pelo Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, durante a cerimónia de lançamento da plataforma, sublinhando que o objectivo é ultrapassar a actual fragmentação na gestão do subsector e promover uma melhor coordenação entre todos os intervenientes.
“A Plataforma de Irrigação de Moçambique é o espaço que o Ministério está criando para que possamos, num só espaço físico ou virtual, discutir os problemas de irrigação, de construção, de manutenção e operação, de utilização”, afirmou.
Segundo o ministro, um dos principais desafios consiste em definir que modelos de irrigação melhor se ajustam às diferentes realidades da agricultura nacional.
“Como é que nós vamos continuar a financiar os projectos de irrigação? E para quem? Vamos continuar a fazer sistemas de irrigação para o produtor familiar? Vamos começar a fazer sistemas para o produtor comercial emergente?”, questionou.
Roberto Albino defendeu que os investimentos devem ser orientados para soluções diferenciadas, capazes de responder às necessidades específicas dos pequenos produtores, dos agricultores comerciais emergentes e dos grandes empreendimentos agrícolas.
O governante sublinhou ainda que a irrigação deve ser encarada como um sistema integrado, que vai muito além da construção de infra-estruturas.
“Não é uma questão de infra-estrutura só. É também de utilização”, afirmou,
acrescentando que o sucesso dos investimentos depende igualmente da tecnologia, do conhecimento técnico e da capacidade de gestão.
Alertou igualmente para a necessidade de assegurar a viabilidade económica das culturas seleccionadas.
“Há culturas que os técnicos dizem que nem vale a pena fazer um irrigativo, porque as margens são tão baixas que não permitem gerar retornos”, explicou.
Num contexto de mudanças climáticas, o ministro considerou que a gestão eficiente da água será determinante para o futuro da agricultura nacional.
“A agricultura não se faz com chuva, a agricultura faz-se com água”, afirmou.
Falando em representação dos parceiros de cooperação, a Chefe da Missão Diplomática do Reino da Bélgica em Moçambique, Delphine Perremans, considerou que a criação da plataforma representa um passo importante para reforçar a coordenação dos investimentos e a eficácia das intervenções no sector.
“Mais do que infra-estruturas, o desafio da irrigação exige coordenação, instituições fortes e uma visão partilhada entre todos os intervenientes”, afirmou.
A Plataforma de Irrigação de Moçambique deverá funcionar como um mecanismo permanente de concertação entre Governo, sector privado, academia, sociedade civil e parceiros de cooperação, visando melhorar o planeamento, a coordenação e a sustentabilidade da irrigação no país.
A iniciativa é financiada através do mecanismo STEM, do Governo da Bélgica, implementado pela respectiva agência de desenvolvimento.
(AIM)
SNN/pc
