Agricultura, campo de milho. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 31 Jul (AIM) – As limitações nas vias de acesso e na logística continuam a condicionar o aproveitamento do potencial agrícola da província do Niassa, zona norte.
Face a situação, o sector empresarial defende uma melhoria das ligações aos mercados como condição para transformar a produção existente numa cadeia de valor capaz de gerar mais rendimento e estimular novos investimentos.
A preocupação foi apresentada, recentemente, por Alberto Soares, representante do Conselho Empresarial Provincial (CEP) do Niassa, durante um encontro com o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, no âmbito da implementação do Plano Estratégico de Desenvolvimento Agrário, iniciativa que pretende posicionar a província como capital agrária de Moçambique.
Segundo Alberto Soares, Niassa já possui uma base produtiva significativa, envolvendo agricultores familiares, produtores comerciais e empresas, tendo capacidade para abastecer mercados nacionais e regionais. Contudo, o crescimento do sector continua limitado pelos desafios de transporte e escoamento da produção.
“Já conseguimos alimentar a vizinha Malawi, com milho, feijão, a Tanzânia e outros mercados, inclusive Moçambique inteiro. Mas há um factor muito importante que o Governo tem que olhar: a questão do acesso”, afirmou.
O representante do CEP explicou que a maior parte da produção agrícola é realizada no interior dos distritos, onde as estradas terciárias assumem um papel determinante na ligação entre os produtores, compradores e centros de comercialização.
“O interior e as estradas terciárias da província do Niassa são as veias de alimentação. Então, depois que essa estrada não passa, nem que seja de terra planada só para minimizar, sempre vamos ter o problema do preço, a falta de produtos, por aí em diante”, disse.
Para o sector empresarial, a melhoria das vias de acesso poderá desencadear um ciclo de crescimento económico, permitindo maior circulação de mercadorias, expansão dos serviços de transporte e aumento da capacidade de compra da produção agrícola.
“A produção já está sendo feita. Se hoje eu consigo produzir dois, quatro hectares, tenho uma estrada adequada, tenho mercado para isso, aquilo que faz o transporte e a logística vai poder comprar mais um caminhão no ano seguinte, mais outro. E, assim, estamos a fazer uma cadeia de valores”, afirmou Alberto Soares.
Na ocasião, o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas reconheceu que a componente logística é um dos elementos fundamentais para concretizar a ambição de transformar Niassa numa plataforma agrícola nacional.
Roberto Mito Albino explicou que o Governo pretende trabalhar directamente com os agentes económicos locais, uma vez que estes conhecem os principais desafios e oportunidades existentes na província.
“Não quisemos fazer isso sem também conversarmos com os empresários, porque vocês que estão no terreno, dia a dia, conhecem melhor Niassa do que nós, conhecem quais são os desafios e também podem nos ajudar na definição das prioridades”, declarou.
Segundo o governante, a estratégia de desenvolvimento agrário para a província está estruturada em três áreas principais: fortalecimento da agricultura familiar, promoção da produção comercial e apoio aos produtores orientados para exportação.
No primeiro grupo, o foco será o aumento da produtividade através do acesso a sementes de qualidade, irrigação e mecanização, enquanto os produtores comerciais deverão beneficiar de melhores condições de financiamento, assistência técnica, incentivos fiscais e apoio logístico.
Para o segmento orientado à exportação, Roberto Albino apontou culturas como macadâmia, castanha de caju, eucalipto, gergelim, soja e feijão boer como áreas com potencial de expansão.
O Ministro destacou igualmente a importância da criação de blocos produtivos envolvendo cooperativas, empresas e jovens empreendedores, como forma de aumentar a escala de produção e facilitar a ligação entre produtores e mercados.
“Os jovens podem fazer uma empresa juntos e explorar um bloco produtivo. Este aqui é o caminho”, afirmou.
Roberto Albino sublinhou ainda que a transformação agrária exige profissionais preparados, defendendo a revitalização dos centros de formação agrária para capacitar produtores e técnicos em áreas como mecanização, irrigação e produção.
“Não se faz transformação agrária sem pessoas capacitadas”, concluiu.
(AIM)
SNN/pc
