Presidente Daniel Chapo reúne-se com Kristalina Georgieva, Directora-geral do FMI em Nova Iorque
Maputo, 23 de Set (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, encontrou-se, esta terça-feira, em Nova Iorque, com a Directora-Geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, numa altura em que Moçambique chega à mesa de negociações com uma posição inédita de nao possuir qualquer dívida pendente com aquela instituição financeira internacional.
O encontro ocorre poucos dias depois da conclusão, em Maputo, de uma missão técnica do FMI que trabalhou com as autoridades moçambicanas na preparação das bases para um novo programa de financiamento.
A reunião entre Chapo e Georgieva decorreu à margem da abertura do Debate Geral da 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas e colocou no centro das discussões o reforço da posição orçamental, a política monetária e a continuidade das reformas económicas, num momento em que o país procura avançar para um novo entendimento financeiro com o Fundo.
A posição de Moçambique perante o FMI mudou significativamente nos últimos meses. Em Março de 2026, o Estado moçambicano liquidou integralmente e de forma antecipada as suas obrigações financeiras junto do Fundo, num pagamento de cerca de 701,4 milhões de dolares correspondente a 514,04 milhões de Direitos de Saque Especiais (SDR). Com a operação, o saldo de crédito pendente de Moçambique junto do FMI passou a zero.
A liquidação da dívida ocorreu no mesmo ano em que o Governo voltou a trabalhar com o FMI para a definição de um eventual novo programa de assistência financeira. Dados divulgados após a operação indicaram que, no final de Março, Moçambique figurava entre os países sem crédito pendente junto do Fundo.
O encontro de Nova Iorque acontece depois de uma missão do FMI ter permanecido em Moçambique entre 9 e 18 de Setembro, liderada por Pablo López-Murphy, para aprofundar as discussões técnicas sobre um potencial novo programa de apoio financeiro.
Durante a missão, a equipa do Fundo manteve contactos com o Governo, o Banco de Moçambique e outras instituições, avaliando a evolução da economia, as reformas em curso e as condições necessárias para um eventual programa ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargada.
No final dos trabalhos, o Ministério das Finanças considerou que tinham sido lançadas as bases para um novo entendimento com o FMI, estando previstas novas discussões nos próximos meses. O Fundo, por seu turno, indicou que ainda são necessárias passos adicionais antes de um eventual acordo técnico.
Assim, a presença de Chapo em Nova Iorque acontece num momento em que as duas partes procuram transformar as discussões técnicas realizadas em Maputo num novo quadro de cooperação financeira.
Durante a reunião, o Chefe do Estado e a Directora-Geral do FMI discutiram formas de reforçar a posição orçamental e a política monetária de Moçambique, bem como a continuidade de reformas económicas que tenham em conta os sectores mais vulneráveis da sociedade.
Falando à imprensa no final do encontro, Kristalina Georgieva classificou as conversações como positivas e afirmou que o FMI pretende estabelecer uma parceria com Moçambique para fortalecer os fundamentos da economia e criar condições para o crescimento e a prosperidade.
A responsável reconheceu, contudo, que o país atravessa um contexto económico particularmente exigente, marcado pelo impacto das cheias e pelas pressões externas.
“Neste ambiente, discutimos como podemos reforçar a posição orçamental de Moçambique, como podemos colocar a política monetária numa base sólida e como pode Moçambique prosseguir reformas de uma forma que seja sensível às pessoas vulneráveis na sociedade”, explicou Georgieva.
A Directora-Geral do FMI manifestou ainda expectativa quanto à implementação de um programa capaz de fortalecer os fundamentos macroeconómicos do país e colocá-lo numa trajectória de prosperidade.
Na mesma deslocação a Nova Iorque, Daniel Chapo reuniu-se com o Director-Geral da International Finance Corporation (IFC), Makhtar Diop, para discutir oportunidades de mobilização de investimento e financiamento destinados ao desenvolvimento do sector privado e de projectos estruturantes em Moçambique.
As conversações com a IFC incidiram sobre sectores como agricultura e agro-negócio, energia, infra-estruturas, economia digital, inclusão financeira e energias renováveis.
Makhtar Diop manifestou a disponibilidade da IFC para continuar a trabalhar com Moçambique na mobilização de capital e na identificação de oportunidades de investimento em áreas estratégicas da economia nacional.
(AIM)
Paulino Checo
