Maputo, 22 Set (AIM) – Um “webinar” alusivo ao Dia Mundial do Mosquito evidenciou a necessidade de adopção de uma abordagem integrada ao controlo de mosquitos, combinando a vigilância entomológica, novas tecnologias, gestão de criadouros, melhoria das habitações e investigação científica.
Na abertura do “webinar”, o director do Programa Nacional de Controlo da Malária, Stélio Tembe, destacou a importância de adaptar continuamente as estratégias de controlo vectorial às mudanças no comportamento dos mosquitos, à resistência aos insecticidas, às alterações climáticas, à urbanização e às mudanças ambientais.
Embora intervenções como as redes mosquiteiras tratadas com insecticida e a pulverização intradomiciliária continuem a ser fundamentais, a fonte defendeu a necessidade de reforçar a vigilância entomológica e de investir em novas ferramentas.
“O futuro do controlo vectorial provavelmente não está associado a uma única ferramenta, mas à capacidade de combinar intervenções, inovar, reforçar a vigilância e utilizar evidência científica”, salientou Stélio Tembe.
Uma nota informativa do Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM), localizado na província de Maputo, sul de Moçambique, recebido na redacção da AIM, refere à necessidade de conhecer melhor o mosquito para orientar as intervenções.
De acordo com a mesma nota, a primeira apresentação realizada durante o “webinar, conduzida pela doutoranda Dulcisária Marrenjo, da Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), centrou-se no comportamento dos mosquitos e nas suas implicações para o controlo da malária.
Com base em dados de vigilância entomológica, a investigadora mostrou que alguns dos principais vectores da malária em Moçambique podem picar tanto no interior como no exterior das habitações. Foram também identificados períodos de maior actividade entre as 18h00 e as 19h00 e ao amanhecer, entre as 05h00 e as 06h00.
Segundo Dulcisária Marrenjo, estes padrões de comportamento têm implicações importantes para as actuais estratégias de prevenção, fortemente orientadas para a protecção no interior das casas, reforçando a necessidade de considerar intervenções complementares.
Na segunda apresentação realizada durante o webinar, Henis Sitoe, em representação do Departamento de Doenças Negligenciadas do Ministério da Saúde, expôs a situação da filaríase linfática, vulgo elefantíase, em Moçambique e as perspectivas para a sua eliminação como problema de saúde pública.
O pesquisador destacou a existência de lacunas importantes de conhecimento sobre os vectores responsáveis pela transmissão da doença no contexto moçambicano.
Embora a literatura internacional aponte diferentes géneros de mosquitos como potenciais vectores, Sitoe sublinhou a necessidade de produzir mais evidência nacional que permita compreender melhor esta relação.
A geração desse conhecimento ganha particular importância num contexto em que Moçambique definiu como meta a eliminação da filaríase linfática como problema de saúde pública até 2030.
O “webinar” realizado pelo CISM, em parceria com o Programa Nacional de Controlo da Malária (PNCM) e a Associação Pan-Africana de Controlo de Mosquitos (PAMCA Moçambique), ocorreu há dias, reunindo investigadores, profissionais de saúde, estudantes e outros intervenientes para discutir novas abordagens sobre o controlo de vectores e das doenças por eles transmitidas.
(AIM)
mz
