Maputo, 9 Out (AIM) – A Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER) manifestou preocupação com a redução das ligações de electricidade fora da rede, que caíram para 122 mil, num contexto em que Moçambique necessita de assegurar entre 180 mil e 200 mil ligações por ano para acelerar o acesso universal à energia.
O alerta foi lançado quinta-feira, em Maputo, pelo presidente da AMER, Ricardo Pereira, durante a abertura do Fórum Bianual de Energia Fora da Rede em Moçambique, que reúne actores do sector para debater os desafios e as perspectivas de expansão do acesso à electricidade no país.
Segundo Pereira, as vendas de sistemas solares domésticos estão a diminuir desde 2024, uma tendência que poderá comprometer o ritmo de expansão das soluções energéticas fora da rede, consideradas essenciais para levar electricidade às comunidades ainda sem acesso à rede nacional.
O responsável destacou igualmente as disparidades entre as zonas urbanas e rurais, referindo que a taxa de acesso à electricidade ronda 89 por cento nas cidades, contra apenas 30 por cento nas zonas rurais.
“Os números de 2025 contam duas histórias: a taxa de electrificação atingiu 66,4 por cento, acima das projecções, e a rede nacional está praticamente ao ritmo necessário para a meta de 2030”, afirmou.
Contudo, advertiu que o cumprimento da meta de acesso universal à energia até 2030 dependerá cada vez mais da contribuição das soluções fora da rede, incluindo sistemas solares domésticos, mini-redes e alternativas de cozinha limpa.
Pereira explicou que estas soluções já estão contempladas nos principais instrumentos nacionais de planeamento energético, nomeadamente na Estratégia de Transição Energética Justa e no Compacto Nacional de Energia.
Acrescentou que o Plano Nacional de Electricidade de Menor Custo, concluído pela Unidade de Planeamento e Coordenação Energética (UPCE) da AMER, disponibiliza uma base técnica para determinar as soluções mais adequadas a cada contexto.
O presidente da associação destacou ainda a aprovação, pelo Governo, dos regulamentos de concessão de electricidade e da taxa de acesso universal, considerando-os instrumentos importantes para dinamizar os investimentos no sector.
Referiu igualmente a intenção, anunciada há duas semanas, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, de criar uma coligação estratégica para financiar a electrificação fora da rede.
Segundo Pereira, a iniciativa poderá mobilizar recursos para viabilizar cerca de 2,5 milhões de ligações fora da rede e investimentos na ordem de mil milhões de dólares norte-americanos.
“A coligação propõe exactamente aquilo de que o sector mais precisa: uma arquitectura de financiamento faseada e previsível”, sublinhou.
Apesar dos desafios, o dirigente apontou sinais de crescimento do mercado, indicando que o número de prestadores de serviços registados na Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) aumentou de 26, em 2024, para 67, em 2025.
Defendeu, contudo, que a expansão do número de operadores deve traduzir-se numa maior capacidade de execução dos projectos, sobretudo no segmento das mini-redes, onde persistem dificuldades na preparação dos concursos e na viabilidade financeira das iniciativas.
Neste contexto, destacou o avanço do Programa de Promoção de Mini-Redes Renováveis em Moçambique (PROMR-MZ), que já mobilizou mais de 60 milhões de euros e prevê lançar o primeiro concurso para cerca de 100 mini-redes nas províncias de Tete, Zambézia e Niassa.
(AIM)
MR/pc
