Construção da Central Solar de Metoro, província de Cabo Delgado (foto arquivo)
Maputo, 27 Nov (AIM) – A Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER) afirma que Moçambique já ultrapassou a marca de 700 mil sistemas solares domésticos instalados, um avanço considerado crucial para acelerar o acesso universal à energia até 2030.
O presidente da AMER, Ricardo Pereira, anunciou o facto esta quinta-feira (27), em Maputo, durante a 2ª Edição do Fórum Bi-Anual de Energia Fora da Rede, que reuniu governo, sector privado e parceiros de cooperação.
Na ocasião, Pereira afirmou que as soluções solares domésticas continuam a ser a tecnologia que mais rapidamente leva luz às zonas rurais. “Setecentos mil sistemas representam milhões de moçambicanos electrificados através destas soluções.”
Pereira explicou que o fórum funciona como uma plataforma técnica de diálogo entre o Governo, o sector privado e os parceiros.
“O objectivo é discutir desafios, alinhar prioridades e garantir que todos caminhem na mesma direcção para 2026 e para a meta de acesso universal até 2030”, sublinhou.
O dirigente acrescentou que cerca de 40% da população continua sem acesso à energia.
“Temos cinco anos para trabalhar intensamente. O país está com 64% de electrificação e a meta é chegar aos 100% até 2030”.
O evento analisou ainda o desempenho das mini-redes solares, com mais de 100 infra-estruturas já instaladas sob gestão do Fundo de Energia.
Segundo Pereira, o sector tem registado progresso em modelos tarifários, concessões e novas abordagens regulatórias.
“O sector privado demonstrou ser capaz de operar mini-redes com eficiência, reduzindo tarifas em quase quatro vezes no caso da primeira mini-rede privada plenamente operacional.”
No segmento de cozinha limpa, as discussões centraram-se no financiamento climático e nos mercados de carbono.
“Os fogões melhorados permitem poupar até 40% do carvão. É um impacto directo na economia das famílias e na sustentabilidade ambiental.”
Por sua vez, a directora Nacional de Energia no Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), Marcelina Matavel, destacou que o fórum desempenha um papel estratégico na definição de políticas e no fortalecimento do investimento.
“Esta edição apresenta-se como uma plataforma para o alinhamento de pensamentos estratégicos e para a mobilização de financiamento rumo ao acesso universal”, declarou.
Matavel recordou que a primeira edição, realizada em Março do ano corrente, identificou desafios relacionados com financiamento, inclusão de grupos vulneráveis, lixo electrónico e incentivos fiscais.
“Hoje actualizamos as actividades em curso e discutimos o fortalecimento da capacidade empresarial, o financiamento de projectos e questões político-estratégicas da electrificação rural”, afirmou.
A dirigente destacou que o Governo está a criar condições para facilitar o investimento privado, realçando iniciativas como o Programa de Leilões de Energias Renováveis (PROLER) e o programa “Global Energy Transfer Feed‑in Tariff” (GET Fit).
“Apesar dos desafios, o PROLER é um exemplo de transparência e competição na selecção de produtores independentes.”
Sobre a regulamentação da nova Lei da Electricidade, afirmou “queremos um instrumento harmonizado, bem discutido e que corresponda às necessidades dos implementadores.”
Matavel agradeceu o apoio contínuo dos parceiros internacionais. “Cada parceiro aqui presente sabe em que área tem contribuído. Esse apoio tem sido valioso e permitiu avançar no desenvolvimento do sector energético.”
“Que sejamos francos, inovadores e produtivos, para que as conclusões influenciem estratégias que garantam o futuro energético do país e vamos trabalhar juntos, alinhados e coesos para fazer a diferença”, concluiu.
(AIM)
NL/ sg
