A Light for the World doa microscópio cirúrgico oftalmológico e consumíveis ao Serviço de Oftalmologia do Hospital Central de Maputo (HCM). Foto de Carlos Júnior
Maputo, 28 Out (AIM) – O Governo moçambicano pretende reforçar a capacidade nacional de diagnóstico e assistência médica especializada, com vista a reduzir a transferência de doentes para tratamento no estrangeiro, apelando ao sector privado para investir em soluções que permitam responder às necessidades dos pacientes no país.
A intenção foi manifestada pelo ministro da Saúde, Ussene Isse, esta quarta-feira, em Maputo, na abertura da segunda edição da Moçambique Medical Expo 2026, ocasião em que desafiou clínicas privadas, laboratórios, redes de farmácias e outros operadores a estabelecerem parcerias com o Governo para ampliar a oferta de serviços médicos especializados.
«Estamos a transferir doentes do nosso país para exames e tratamentos fora do nosso país, África do Sul, Índia, por aí fora. Será que não temos capacidade interna para resolver este problema? Temos ou não temos?», questionou.
Segundo o governante, Moçambique transfere pacientes para o estrangeiro devido a um conjunto restrito de doenças, situação que considera necessário ultrapassar através de investimentos e do melhor aproveitamento das capacidades existentes no país.
«Não basta só o compromisso de falar, tem que haver um compromisso de acção, um compromisso de gerar mudanças», sublinhou, defendendo que as parcerias entre os sectores público e privado devem produzir resultados concretos para a população.
Como exemplo dos constrangimentos existentes, Isse apontou a paralisação do único equipamento de radioterapia do país, cuja reabilitação tem sido dificultada pela indisponibilidade, no mercado, das peças necessárias, uma vez que o aparelho foi descontinuado.
A radioterapia é utilizada no tratamento de determinados tipos de cancro, incluindo o do colo do útero, pelo que a indisponibilidade do equipamento limita a capacidade nacional de prestação de cuidados oncológicos.
Perante este cenário, o ministro apelou ao sector privado e aos parceiros para colaborarem com o Governo na aquisição de novos aparelhos, de modo a reforçar os serviços especializados e reduzir a necessidade de os doentes procurarem assistência médica fora de Moçambique.
«Vamos trabalhar de forma conjunta para trazermos para Moçambique novos aparelhos de radioterapia», exortou, acrescentando que o Executivo está a trabalhar para acelerar o processo de aquisição dos equipamentos.
O governante considerou que o sector público, isoladamente, não dispõe de capacidade suficiente para garantir a cobertura universal de saúde, defendendo uma actuação coordenada com os operadores privados e as organizações que intervêm no sector.
Destacou igualmente a necessidade de reforçar a disponibilidade de medicamentos e equipamentos médicos, bem como melhorar a capacidade de resposta do sistema nacional de saúde perante o crescimento da população e o aumento das doenças crónicas não transmissíveis.
Para Isse, a saúde deve ser encarada como um investimento no desenvolvimento do país, por constituir uma condição essencial para a educação, a produtividade e o bem-estar dos cidadãos.
A segunda edição da Moçambique Medical Expo 2026 reúne operadores e outros intervenientes do sector da saúde, com enfoque na inovação, no investimento e no estabelecimento de parcerias para melhorar a prestação de cuidados médicos em Moçambique.
(AIM)
SNN
