Deslocados internos na provincia de Cabo Delgado
Maputo, 13 Mai (AIM) – O Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC, na sigla em inglês), afirma que o número de deslocados em Moçambique ultrapassou cerca de 718 mil em 2024.
Devido a conflitos e violência, mais de 38 milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar as suas residências, para ocupar outros locais dentro do seu país, na África Subsaariana, no ano de 2024 e Moçambique faz parte das estatísticas.
Os dados constam do Relatório Global sobre Deslocações Internas 2024, publicado pelo Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno, uma organização não-governamental do Conselho norueguês para os refugiados.
De acordo com o relatório, na província nortenha de Cabo Delgado, 240 mil pessoas foram deslocadas no país durante o ano de 2024 por conflitos e violência e 585 mil por desastres naturais, entre elas, 536 mil devido ao ciclone “Chido”.
A cifra representa 47 por cento do número de deslocados a nível mundial. O Sudão e a República Democrática do Congo são os países que mais registaram deslocados internos em 2024.
“O Sudão e a República Democrática do Congo foram os mais afectados, com 11,6 milhões e 6,2 milhões de deslocados, respectivamente”, refere a nota da ONG.
Números que preocupam o secretário-geral do Conselho Norueguês para os Refugiados, Jan Egeland, citado no documento ao referir que os valores registados em 2024 devem servir de alerta para o estado da solidariedade global.
“O deslocamento interno raramente faz manchetes, mas para quem o vive, o sofrimento pode durar anos”, afirmou, questionando-se sobre “quanto mais tempo poderá crescer o número de pessoas afectadas pela falta de responsabilidade e de liderança.
Em apenas 10 países havia, no final de 2024, mais de três milhões de deslocados internos devido a conflitos e violência, o dobro do número de há quatro anos.
Os casos em que os dois motivos se sobrepuseram, ou seja, o número de países que reportaram deslocações devido a conflitos e desastres, triplicaram desde 2009.
Mais de três quartos das pessoas deslocadas internamente por conflitos e violência no final de 2024 viviam em países com elevada ou muito elevada vulnerabilidade às alterações climáticas.
“Os dados são claros”, considerou a directora do IDMC, Alexandra Bilak.
“Agora é tempo de os utilizar para prevenir as deslocações, apoiar a recuperação e construir resiliência. São precisos esforços imediatos para ajudar as pessoas que perderam tudo e investimentos para lidar com as vulnerabilidades subjacentes, a fim de as evitar”, concluiu.
(AIM)
Fernanda da Gama (FG)/sg
