Deslocados internos
Maputo, 03 Jun (AIM) – O relatório anual do Conselho Norueguês para Refugiados (NRC, sigla em Inglês) afirma que Moçambique aparece, pela primeira vez, entre os três países com as crises de deslocados mais esquecidas do mundo.
A informação consta de um relatório do NRC divulgado esta terça-feira (03), em que a AIM teve acesso onde indica que o país ocupa a terceira posição na lista entre as emergências humanitárias mais negligenciadas do universo
O relatório aponta que, em 2024, Moçambique enfrentou uma combinação grave de violência armada, instabilidade política e eventos climáticos extremos, pois esta junção de factores agravou a crise humanitária, sobretudo na província nortenha de Cabo Delgado, onde os ataques continuam a forçar a emigração de milhares de pessoas.
Além da violência, o país sofreu com o impacto do ciclone “Chido”, que atingiu infra-estruturas já debilitadas, aprofundando ainda mais a vulnerabilidade da população.
O Conselho Norueguês para Refugiados estima que, até finais de 2024, cerca de 600 mil pessoas foram forçadas a abandonar suas casas devido a conflitos e desastres naturais e entre Abril e Setembro, 2,8 milhões de moçambicanos enfrentaram níveis severos de insegurança alimentar.
Apesar do agravamento da situação, o apoio internacional continua abaixo do necessário porque o Plano de Resposta Humanitária de 2024 conseguiu apenas 41 por cento do financiamento requerido, o mais baixo registado. A assistência alimentar foi ainda mais afectada, alcançando apenas 13 por cento da demanda em Cabo Delgado.
A nota indica que para 2025, os primeiros dados revelam um cenário semelhante, com o NRC alertando que o financiamento até agora obtido é extremamente limitado, o que poderá agravar ainda mais a crise.
O documento também critica a escassa cobertura mediática sobre Moçambique e a falta de atenção diplomática, que contribuem para o esquecimento da crise, mesmo com o seu agravamento.
De acordo com o NRC, o número global de deslocados duplicou na última década, mas os recursos disponíveis não acompanharam esse assunto, destacando que apenas metade das necessidades humanitárias globais estão a ser financiadas, devido a cortes orçamentais e prioridades domésticas de países doadores.
A crise moçambicana é citada como um exemplo emblemático de como múltiplas ameaças como guerras, instabilidade política e catástrofes naturais podem ser ignoradas pela comunidade internacional.
Segundo o relatório, para além de Moçambique, aparecem na lista países como Camarões em primeiro lugar, Etiópia em segundo, Burkina Faso em quarto, seguido do Mali, Uganda, Irão, República Democrática de Congo (RDC), Honduras e Somália.
O Conselho Norueguês para Refugiados fortalece que, para este cenário, “é preciso um esforço mais coordenado e focado naqueles que continuam esquecidos”.
(AIM)
FG /sg
