Marcelo Rebelo de Sousa (direita) e Luís Montenegro, em Belém
Lisboa, 20 Mai (AIM)- O chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, começou esta terça-feira (20) a ouvir as formações políticas, depois das eleições legislativas antecipadas de domingo (18), tendo em vista a indigitação do primeiro-ministro.
Com efeito, o Partido Social-Democrata (PSD), liderado por Luís Montenegro, Partido Socialista (PS) e Chega de André Ventura, um partido xenófobo, racista e populista, preencheram a agenda do Presidente da República no Palácio de Belém neste primeiro dia de audições.
O líder do PSD e actual primeiro-ministro assegurou que a reunião desta terça-feira, com Marcelo Rebelo de Sousa, correu de forma “normal” e não prestou mais declarações aos jornalistas presentes, depois de desejar “boa tarde e bom trabalho”.
Por seu turno, Pedro Nuno Santos, o ainda secretário-geral do PS, acompanhado pelo presidente do Partido Socialista, Carlos César, disse à saída da audiência que “foi uma boa reunião, um bom encontro” que, no seu caso, serviu também de “despedida”, já que no domingo (18) apresentou a demissão da liderança do seu partido e não se recandidata nas eleições internas.
“[Foi] uma reunião muito importante para nós. Prezei sempre pelas relações institucionais com o senhor presidente da República. Tivemos uma boa convivência ao longo deste ano e meio na liderança do Partido Socialista”, declarou aos jornalistas.
“Desejo que a situação política em Portugal estabilize rapidamente e que o país possa fazer o seu caminho, superando os problemas que ainda temos”, acrescentou Pedro Nuno Santos.
André Ventura, do Chega, visivelmente emocionado com o crescimento do seu partido, disse aos jornalistas à saída da audiência que “os dados (eleitorais) indicam” que o partido será o líder da oposição depois de conhecidos os resultados do círculo da emigração.
Ventura foi o último líder partidário a reunir-se esta terça-feira com Marcelo Rebelo de Sousa . O líder do Chega, que chegou 20 minutos atrasado ao Palácio de Belém, disse que agradeceu ao Presidente da República pela preocupação que demonstrou com a sua saúde, durante a campanha eleitoral.
Ventura admite que os resultados eleitorais ainda não são garantidos, mas diz acreditar que o Chega vencerá nos círculos eleitorais da emigração “como tudo indica”.
O líder do Chega relembrou alguns dos pilares do partido, como o combate à “subsídio-dependência” e à “imigração descontrolada”.
André Ventura acusou Luís Montenegro de governar com o Partido Socialista e garante que, pela vontade dos portugueses, será líder da oposição, “se tudo se confirmar”.
“Apresentaremos um governo alternativo e assumiremos o nosso estatuto de líder da oposição, mas não deixaremos que o país caia numa nova crise política e procuraremos ser um farol e um garante da estabilidade em Portugal, mas não da estabilidade a qualquer custo”, afirmou.
Segundo a agenda do chefe de Estado português a que a AIM, em Lisboa, teve acesso, Marcelo Rebelo de Sousa vai continuar a ouvir esta quarta-feira outros partidos que concorreram as Legislativas.
De acordo com o apuramento global e quando faltam por apurar 24 Consulados e quatro deputados por eleger, a AD Coligação PSD/CDS-PP é a vencedora das eleições, embora sem maioria absoluta, ao obter 32,10 por cento dos votos (86 deputados). O PS conseguiu 23,38 por cento dos votos (58 deputados) e o Chega com 22,56 por cento (58 deputados).
(AIM)
DM
