Presidente da República, Filipe Nyusi. Foto arquivo
Maputo, 03 Jun (AIM) – O antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, regozija-se com os resultados positivos da diplomacia económica em Moçambique, um termo introduzido durante o seu mandato de 10 anos que iniciou em 2014.
Falando esta terça-feira em Maputo, durante uma audiência que concedeu à Associação dos Diplomatas de Moçambique (ADIMO), Nyusi disse acreditar que durante os seus dois mandatos na presidência elevou a diplomacia em diversas vertentes, apontando como exemplos a economia azul e a ramificação da cooperação entre países do mundo inteiro, sobretudo os do Médio Oriente.
Reconheceu ter dirigido o país em momentos conturbados, marcados pela suspensão, em 2017, da ajuda dos parceiros de cooperação, incluindo do apoio directo do Fundo Monetário Internacional (FMI) no Orçamento do Estado, após a descoberta das dívidas ocultas.
“Tivemos momentos marcantes na nossa diplomacia económica; introduzimos no vocabulário, como diplomatas, a diplomacia económica”, disse.
Em quase todas as embaixadas de Moçambique no exterior, segundo Nyusi, falava-se da diplomacia económica, destacando que os embaixadores e altos-comissários deixaram de representar politicamente o país e passaram a pensar diferente.
“É preciso ver o que nós ganhamos dessas parcerias, o foco era mesmo para a diplomacia económica. Fizemos muito esforço”, vincou.
Nyusi fez questão de apontar a construção na Coreia, da primeira Plataforma Flutuante de Gás Natural (FLNG), actualmente ancorada na Área 4, do Campo Coral Sul, na Bacia do Rovuma, província setentrional de Cabo Delgado, como fruto da diplomacia.
“Mesmo a questão de conseguirmos a primeira plataforma que já está a dar qualquer coisa. Falei antes de ontem com alguém que me disse que ainda é insignificante e pouco demais para podermos discutir”, disse.
A FLNG já efectuou desde Novembro de 2022 até Junho de 2024, um total de 63 carregamentos do gás, o que corresponde a 4,48 milhões de toneladas de Gás Natural Liquefeito (GNL).
De acordo com a Conta Geral do Estado de 2023, a plataforma rendeu mais de 90 milhões de dólares em receitas para o Estado moçambicano.
“A mensagem que eu quero deixar, é que pela diplomacia conseguimos convencer a construção da plataforma. Era preciso ir ao Japão, ir à Coreia, a Holanda para discutir com os compradores do gás porque nada podia arrancar sem esse negócio e essa diplomacia foi conduzida pela Casa da Diplomacia”, disse.
Por seu turno, a presidente da ADIMO, Laura da Silva, fez saber que a agremiação regozija-se por ter Nyusi como membro número 3, e por ter alcançado um nível de diplomacia eficaz e de relevo em diversos sectores de actividade.
“Acho que tem estado a acompanhar no âmbito das nossas actividades dos nossos 50 anos independência nacional e temos estado a fazer essas visitas para saudar os nossos membros honorários”, afirmou.
Fundada em Novembro de 2003, além de diplomatas de carreira, a ADIMO congrega os antigos Presidentes da República, incluindo o actual, Daniel Chapo, antigos e actuais ministros dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.
(AIM)
Ac/sg
