Um aspecto da votacao na cidade de Maputo. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 10 Jun (AIM) – Um estudo do Instituto Internacional para a Democracia e Apoio Eleitoral (IEDA) reporta que mais de 1.6 bilhão de pessoas votaram em 74 eleições nacionais em 62 países em 2024, com uma participação média de 61 por cento.
O relatório da IEDA, que a AIM teve acesso, indica ainda que em 40 por cento das eleições houve disputa sobre os resultados e dúvidas sobre a transparência eleitoral.
O estudo do IEDA produzido no âmbito do seu projecto de integridade eleitoral concluiu que no superciclo eleitoral de 2024, a desinformação, reformas controversas, violência política e catástrofes climáticas desafiaram eleições de 62 países.
“Em 2024, concentramos a nossa atenção na necessidade urgente de proteger as eleições, produzindo conhecimento sobre tendências de participação e representação, aprimorando a coordenação interinstitucional para combater a desinformação e outras ameaças, reunindo nossos Estados-Membros para trocas francas sobre integridade eleitoral e concentrando nossa primeira campanha global de advocacia institucional neste tópico”, Lê-se na mensagem do secretário-geral da IEDA, Kevin Casas-Zamora.
A nota faz um retrato complexo destas eleições, que incluíram as eleições gerais em Moçambique a 09 de Outubro de 2024
Enquanto muitos processos eleitorais foram bem organizados e pacíficos, vários países enfrentaram retrocessos democráticos, desinformação generalizada, violência política e ameaças à integridade eleitoral.
Os lícitos recolhidos apontam duas questões centrais para entender as dificuldades detectadas nas eleições de 2024 incluindo o papel dos meios de comunicação e o financiamento das campanhas eleitorais, que os analistas dizem revelar que a situação global das democracias se agravou.
O estudo concluiu ainda que a cobertura dos meios de comunicação, em muitos contextos, revelou enviesamentos flagrantes, enquanto a influência do dinheiro nas campanhas favoreceu desproporcionalmente os candidatos com mais recursos, comprometendo o princípio de igualdade de condições.
Apesar dos avanços registados em algumas regiões, como as mudanças pacíficas de poder em diversos países africanos, o relatório documenta 17 eleições com indício de fraude, incluindo compras de votos e manipulação de resultados.
O documento relata ainda casos de violência política que marcaram este ciclo eleitoral, com candidatos que foram alvo de ataques na Mongólia, Eslováquia, Coreia do Sul, África do Sul e Estados Unidos da América (EUA).
Conclui afirmando que mais eleições foram realizadas em 2024 do que o esperado, com a queda de governos, a dissolução de seus parlamentos e a convocação de eleições antecipadas.
O IDEA Internacional é uma organização intergovernamental com 35 Estados Membros, fundada em 1995, com o mandato de apoiar a democracia sustentável em todo o mundo.
(AIM)
Fernanda da Gama (FG) /sg
