Presidente do INE Eliza Magaua durante o lançamento do relatório sobre a situação da população mundial 2025
Maputo, 08 Jul (AIM) – O Instituto Nacional de Estatística reitera o compromisso de colaborar com as academias e fazedores de políticas para uma melhor tomada de decisões com base em evidências.
A posição foi expressa esta terça-feira (08) em Maputo, pela Presidente do INE Eliza Magaua durante o lançamento do relatório sobre a situação da população mundial 2025, intitulado “A verdadeira crise de fecundidade: a busca pela autonomia reprodutiva em um mundo em transformação”.
Magaua entende que só com uma população informada pode-se, em conjunto, planear e desenvolver o país.
“O Instituto Nacional de Estatística reitera a colaboração com a Academia no geral e com a Universidade Eduardo Mondlane em particular, pois é devido a esta grandíssima colaboração que torna possível a academia fazer as suas investigações livremente e aos decisores de política a formularem as suas decisões com base em evidências”.
A dirigente acrescenta ainda que “é com base neste tipo de relatórios que também o Instituto Nacional de Estatística e as outras organizações se apoiam e se liam para alimentar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e outras agendas internacionais, como a Agenda 2030”.
Por sua vez o reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Manuel Guilherme Júnior, avançou que a colaboração, reforça a necessidade da academia continuar a produzir e divulgar pesquisa interdisciplinar focada nos determinantes implicações da transição de fecundidade no contexto moçambicano, incluindo avaliar o papel dos factores socioculturais, condições económicas e acesso a serviços.
Segundo o reitor, a disponibilidade destes dados tem em vista facilitar o engajamento nos diálogos directos com os sectores relevantes do Governo, garantindo que os resultados de pesquisa sejam acessíveis e informem directamente a formulação de políticas para acelerar a transformação estrutural da cidade, incluindo a transição da fecundidade baseada no exercício pleno de direitos sexuais e reprodutivos.
“Planos de expansão destes programas estão em curso, ao mesmo tempo que pretendemos aprimorar os nossos esforços de tradução de conhecimento produzido em documentos que auxiliem os órgãos de tomada de decisão, providenciando a estes órgãos evidências sólidas e actualizadas da situação sociocultural, demográfica, político-económica e ambiental em Moçambique”.
Moçambique é um país maioritariamente jovem e com potencial para materializar o devendo demográfico.
Contudo, os elevados níveis de uniões prematuras e gravidezes precoces fazem com que, sobretudo, as raparigas passem grande parte da sua juventude em estado de união conjugal e ou de maternidade.
Segundo Manuel Guilherme, o relatório sobre a situação da população mundial 2025, constata que o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos ainda é um grande desafio para os casais e, sobretudo, para as mulheres e factores de ordem económica, sociocultural e de saúde ainda constituem barreiras para o alcance das escolhas reprodutivas.
“Em Moçambique, as mulheres ainda não estão no pleno gozo dos seus direitos sexuais e reprodutivos, pois a prevalência de gravidezes indesejadas, sobretudo na adolescência, ainda é elevada e constitui um grande desafio em matéria de saúde sexual e reprodutiva”.
Já a representante do Fundo das Nações Unidas para a População, Nélida Rodrigues, fez saber que em Moçambique, cerca de metade das raparigas dá a luz pela primeira vez antes da idade dos 18 anos. E cerca de 48 por cento das mulheres casam-se, unem-se, antes dos 18 anos.
“Em média, aproximadamente uma criança em cada lar nasce não desejada ou não planeada, o que é inferior ou igual ao número de filhos que as mulheres têm. Somente 25 por cento das mulheres entre os 15 e os 49 anos usam métodos contraceptivos, enquanto mais de 27 por cento das mulheres têm uma necessidade não satisfeita de planeamento familiar”.
(AIM)
SNN/sg
