Cerca de 70 por cento da população moçambicana vive a base da agricultura
Maputo, 16 Jul (AIM) ‒ A coordenadora do projecto Farsymabi, Máriam Abbas, defende que o país precisa adoptar políticas adequadas ao contexto local para conciliar desenvolvimento agrário e rural com a conservação da biodiversidade,.
Abbas revela que o quadro de políticas e estratégias de acção de biodiversidade aplicado no país foca o contexto nacional, quando o ideal seria uma abordagem local, pois o país é caracterizado por contrastes regionais.
“O nosso quadro nacional de políticas actual, adopta uma abordagem muito nacional, ou seja, nós temos uma estratégia nacional e plano de acção da biodiversidade, mas esta estratégia tem esta abordagem nacional. E nós sabemos que o nosso país é muito diversificado, ele é muito heterogéneo, seja no que se refere ao tipo de vegetação a conservar, seja no que se refere mesmo aos aspectos socioeconómicos”, disse.
Assim, o projecto propõe, como solução, tratamento específico para cada localidade, a fim de se alcançar ligação entre a escala local e nacional.
“O que o projecto traz é esta abordagem que permite ter em consideração o contexto sociológico local, ou seja, a abordagem das regiões sociologicamente homogéneas, para o qual seria possível fazer a ligação entre aquilo que são estratégias locais, a integração da biodiversidade com o contexto nacional”, acrescentou.
O projecto Farsymabi ambiciona, assim, que políticas agrícolas e de biodiversidade sejam adaptadas às regiões sociologicamente homogéneas, para evitar que medidas genéricas sejam implementadas, estando desenquadradas às realidades locais, para tornar as intervenções mais sustentáveis.
“As regiões sociologicamente homogéneas são importantes porque elas têm características semelhantes no que se refere ao tipo de vegetação, no que se refere aos aspectos socioeconómicos, por exemplo, densidade populacional, nível de ocupação agrícola, nível de desnutrição crónica, entre outros aspectos, e para os quais necessitariam de políticas ou estratégias similares (…) neste sentido para podermos, depois, desenhar uma estratégia que responda especificamente a esta região sociologicamente homogénea” avançou.
A não aplicação de estratégias específicas a cada localidade revela paradoxos nas regiões que produzem, em relação ao seu nível de consumo, segundo avançou Máriam Abbas.
“Durante a primeira parte da conferência, nós mostramos que, por acaso, as regiões que têm níveis elevados de produtividade agrícola são as regiões com mais fome, porque são áreas que têm elevada densidade populacional e que existe maior pressão sobre os recursos naturais. Então, se nós aplicarmos uma estratégia igual a todo o território, esta estratégia não vai ser bem sucedida, porque o país tem contextos específicos diferentes”, explicou.
Desde o início da sua implementação, o projecto Farsymabi tem mantido conversações com o governo, através da Direcção Nacional do Ambiente e Mudanças Climáticas, na esperança de que as suas contribuições sejam utilizadas pelo governo para desenhar estratégias e políticas que sejam mais adequadas ao contexto sociológico de Moçambique.
O projeto Farsymabi é coordenado pelo Observatório do Meio Rural (OMR), em parceria com o Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, a Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal da Universidade Eduardo Mondlane e a Faculdade de Ciências Agrárias da Unilúrio, com financiamento da Agência Francesa de Desenvolvimento.
Máriam Abbas, coordenadora do Projeto por parte do Observatório do Meio Rural, falava esta manhã, em Maputo, a margem da conferência organizada pelo OMR com o tema “uma estratégia de integração da biodiversidade no desenvolvimento agrário e rural sensível ao contexto socioecológico local”, que contou com a presença de diversas individualidades interessadas na matéria, incluindo o secretário de Estado da Terra e Ambiente.
(AIM)
XM
