Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo), Jorge Ferrão
Maputo, 05 Ago (AIM) – O Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo), Jorge Ferrão, propõe a criação de escolas de infância em cada distrito de Moçambique, com o objectivo de moldar uma nova geração de estudantes competentes e bem preparados.
Ferrão deixou ficar a proposta durante a Conferência Nacional sobre o Acesso aos Serviços Públicos: Deveres e Direitos Humanos, no painel subordinado ao tema “Cultura cívica e prestação de contas vs prestação de serviços básicos em Moçambique”.
Com a duração de três dias, a conferência é uma iniciativa da World Vision Moçambique, em parceria com organizações da sociedade civil, o Governo, organizações não-governamentais nacionais e internacionais, bem como instituições académicas.
O evento visa, entre outros objectivos, reflectir sobre a criação de um espaço anual de diálogo transparente e de avaliação multissectorial da prestação de serviços públicos no país, além de impulsionar investimentos em soluções locais e sustentáveis.
De acordo com o académico, é fundamental assegurar assistência básica às crianças nos primeiros 100 dias de vida, como forma de prevenir comportamentos desviantes no futuro.
“Quando nós temos comportamentos incorrectos de muitos jovens das escolas, nós esquecemos que o fundamental nunca foi dado a estes meninos. E queremos que os resultados apareçam à posterior”, advertiu.
“Então, a minha proposta era que cada distrito se organizasse para fazer as pequenas escolas de infância”, disse, sublinhando que a preparação feita nestas instituições contribuirá para formar uma nova geração de estudantes com bases sólidas.
“E não vai custar nenhum dinheiro a ninguém. As famílias têm vontade de ter um filho bem-educado. Bom, são ideias, e teremos sempre que pensar que é possível mudarmos a base estrutural sem precisar de correr atrás — nem de donativos, nem de doações, nem de subvenções e muito menos de orçamentos estabilizados”, defendeu.
Ferrão lamentou ainda a fraca cobertura do ensino pré-escolar em Moçambique, revelando que, em 2023, apenas 14 por cento das crianças moçambicanas com idade compreendida entre os três e cinco anos frequentavam algum tipo de ensino, embora este não fosse formal.
“Em 2023, eu fui defender a questão dos orçamentos da educação em Moçambique e dizia, na altura, que 14 por cento das crianças moçambicanas, entre três e cinco anos, frequentavam algum tipo de ensino que não era um ensino formal. E quando este volume de crianças não faz parte de nenhuma escola estipulada pelas nossas instituições, isto representa também este grito civil”, declarou.
Por sua vez, a Directora Nacional da World Vision Moçambique, Maria Carolina Silva, destacou que a falta de acesso à educação, sobretudo nas zonas rurais, constitui um dos maiores desafios que o país enfrenta.
“Nós temos intervenção na área da educação, da saúde, do saneamento, onde há dificuldades. Isso vai sempre depender dos locais onde esses serviços são prestados. Nas zonas remotas, ainda há pouco acesso, por exemplo, às escolas, especialmente nas zonas rurais mais distantes dos centros urbanos e periurbanos”, referiu.
“Há ainda deficiência nas infra-estruturas escolares, no acesso à água dentro das escolas, na permanência dos professores. Então, eu diria que a educação é um tema bastante prioritário”, concluiu.
(AIM)
SNN/sg
