Maputo, 20 de Ago (AIM) – A União Africana (UA) manifestou apoio à campanha “Corrija o Mapa. Corrija o Mundo”, uma iniciativa lançada pelas organizações África Sem Filtro e Fale África, que defende a substituição da projeção de Mercator adotada desde a época colonial, por uma representação cartográfica que reflita com maior fidelidade as proporções reais dos continentes.
Segundo os promotores, a actual projeção “ampliou artificialmente a Europa e a América do Norte, reduzindo a escala de África de muitas maneiras”. Para Fara Ndiaye, diretora-adjunta da Speak Up Africa, trata-se de “distorção que fere o nosso imaginário coletivo, influencia os programas escolares e também as representações mediáticas, quando uma criança africana vê o seu continente encolhido, perde também um certo sentimento de orgulho e da importância que corresponde à sua identidade”, disse.
Moky Makura, diretor executivo da Africa No Filter, reforçou que “a ordem real da África no mapa está errada” e sublinhou que a campanha é urgente: “esta é uma das mais antigas campanhas de desinformação do mundo e deve cessar”.
Criada em 1599 pelo cartógrafo Gérard Mercator para facilitar a navegação marítima, a projeção tornou-se popular pela simplicidade com que representava rotas de navegação. Contudo, ao longo do tempo, as suas distorções foram sendo criticadas, sobretudo porque inflaciona o tamanho da Europa e da América do Norte e diminui o de regiões próximas ao Equador, como África e América do Sul.
“A projeção de Mercator dá origem à ilusão de que a África é marginal”, explicou Selma Malika Haddadi, vice-presidente da Comissão da UA, à agência Reuters. “O continente parece mais pequeno que a Groenlândia, quando, na realidade, é 14 vezes maior”.
A África, recordou Haddadi, é o segundo maior continente do mundo, com mais de um bilhão de habitantes, mas continua a ser representada de forma reduzida, tal como a América do Sul, que surge nos mapas do mesmo tamanho que a Europa, quando é muito maior.
(AIM)
Paulino Checo/pc
