Operação a fístula obstétrica
Nampula, (Moçambique), 09 Set (AIM) – O médico-cirurgião moçambicano Igor Vaz, tranquiliza e garante que a fístula obstétrica é uma doença prevenível e, para o efeito, basta a mulher grávida seguir as directivas das autoridades sanitárias frequentar as consultas pré-natais.
O especialista teceu estas considerações, hoje, (09), na cidade de Nampula, capital da província com o mesmo nome, onde lidera uma equipa de cirurgiões, incluindo um nigeriano e um malgaxe que, nos próximos cinco dias, esperam operar cerca de 170 mulheres com fístulas obstétricas.
Esta é uma intervenção da Associação da Focus Fístula, uma organização não-governamental, que trabalha em cooperação com o Ministério da Saúde e estende a sua acção para os hospitais em todo o país.
A província de Nampula, a mais populosa do país, tem uma taxa elevada de fecundidade, em mulher em idade reprodutiva dos15 aos 49 anos, de 5,1 por cento contra a média nacional que é de 4,9 .
“A fístula é uma doença prevenível. Portanto, as mulheres devem ir à consulta pré-natal onde a enfermeira de saúde materna tem capacidade para ver quais são os casos complicados, mandar para os hospitais que têm capacidade de resolver os problemas, que são os hospitais com capacidade cirúrgica, fazer as cesarianas antes da complicação”, afirmou.
Vaz explica que as mulheres devem seguir as directivas do Ministério da Saúde que tem programas e regras de saúde materno-infantil para que todas sejam seguidas na consulta pré-natal e aquelas com complicações encaminhadas para consulta.
“Estas regras existem no Ministério da Saúde desde a independência, se isto tudo for seguido, acabamos com as fístulas”, frisou.
A fonte fez notar a necessidade de as doentes seguirem as recomendações médicas e procurarem acompanhamento nas unidades sanitárias locais para ficarem curadas e evitar casos de reincidência.
“Algumas delas podem voltar a ter a fístula ou porque a cirurgia não correu bem ou porque a doente não cumpriu com as regras necessárias depois da operação. Nós, por exemplo, dizemos às mulheres para não terem actividade sexual, não começarem a trabalhar, não começarem a carregar água e elas chegam à casa e as famílias obrigam-nas a fazer isso tudo”, anotou.
Por seu turno, a médica pediatra Nazira Abdula, esposa do governador da província de Nampula, deslocou-se ao Hospital Central de Nampula para acompanhar esta acção, onde interagiu com algumas doentes e ofereceu conselhos.
“Estamos aqui para fazer parte desta campanha, prestar apoio e criar as condições para que tudo corra bem. Esta situação de fístula obstétrica afecta, sobretudo, jovens e mulheres que são de famílias vulneráveis. Queríamos deixar aqui um apelo e dizer que estamos aqui para apoiar estas famílias e criar condições para as próximas campanhas sejam mais regulares”, afirmou.
Abdula alertou para a necessidade desta intervenção não ser feita apenas em campanha, mas numa base regular para que mais mulheres sejam abrangidas e passem a desfrutar de uma vida com melhor qualidade.
“Tomamos conhecimento que este ano, fora da campanha, foram operadas 12 mulheres e correu bem, mas o que nós queremos fazer é que mais mulheres, mais jovens, aproximem-se aos hospitais com condições de operar, para elas voltarem a ter uma vida normal, saudável. Porque, como sabem, a fístula obstétrica, além de ser uma condição que pode ser prevenida também pode ser tratada com sucesso”, anotou.
Abdula destacou ainda a importância de combater o estigma a que muitas mulheres com essa condição são sujeitas.
“Então estas mulheres acabam vivendo uma situação não só física, mas também emocional, ficam deprimidas, isolam-se das famílias, então o que nós queremos apelar aqui, mais uma vez, é fazer com que as comunidades, em vez de as isolarem, tragam-nas para serem tratadas. Mas, acima de tudo, o que nós queremos também trabalhar é na componente de prevenção, vamos lutar contra as uniões prematuras, as gravidezes precoces, apoiar o nosso país, a nossa província especial, a sairmos dessa posição de ser das províncias com maiores casos de fístulas obstétricas, que são provocadas por partos complicados”.
Entretanto Bwalya Chomba, directora de programas na “Fístula, Foundation”, doadora da Associação Focus Fístula revelou que o Moçambique é um dos 35 países a quem apoia para o tratamento desta doença.
“Sabemos que, quando tratamos uma mulher, nós vamos mudar todo o mundo por ela. E o efeito do alívio para ela e família é enorme, até mesmo para a comunidade. Então, como Fundação Fistula, nós apoiamos através do nosso parceiro, Focus Fístula, a quem agradecemos muito, pela boa parceria que nós temos também com o Ministério da Saúde. Nós estamos muito felizes e precisamos de esforços conjuntos se queremos ajudar essas mulheres”, assegurou.
A campanha que hoje arrancou no Hospital Central de Nampula, tem a duração de cinco dias.
(AIM)
RI/sg
