Manifestações pós-eleitorais violentas
Maputo, 09 Set (AIM) – Os moçambicanos buscam a partir da quarta-feira (10) novas formas de evitar a eclosão de novas manifestações pós-eleitorais violentas, ilegais que, desde a introdução do multipartidarismo no país, e consequente realização das I eleições gerais, em 1994, verificam-se em todo o território nacional.
As VII eleições gerais, que coincidiram com as IV para as assembleias provinciais, ocorridas a 9 de Outubro de 2024, trouxeram uma nova onda, considerada a mais violenta de todas as manifestações pós-eleitorais, facto que colocou as autoridades do Estado a reflectir as formas de evitar e acabar com os desmandos pós-eleitorais.
Convocadas pelo candidato presidencial derrotado, Venâncio Mondlane, as manifestações pós-eleitorais violentas e ilegais duraram cerca de seis meses, tendo iniciado em Outubro, e dilapidaram o tecido social, económico, político, incluindo religioso, devido ao seu impacto negativo no normal funcionamento das instituições públicas e privadas, e das confissões religiosas.
Em apenas seis meses as manifestações vandalizaram pelo menos 19 fábricas e indústrias foram destruídas, 177 escolas, 23 armazéns comerciais, 1.677 estabelecimentos comerciais, 13 farmácias, entre outras infra-estruturas também destruídas.
Os manifestantes também destruíram 27 unidades sanitárias, 23 ambulâncias, 293 edifícios públicos, 176 postos de rede de energia eléctrica, 12 postos de transformadores eléctrica, 58 torres de comunicações.
Acresce ainda a destruição de 220 veículos do governo, 164 casas governamentais, 108 casas de cidadãos particulares e centenas de veículos, também de particulares.
Estimativas da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) referem que as manifestações custaram cerca de 504 milhões de dólares à economia do país, e perda de mais de 17 mil empregos desde Outubro último até Janeiro.
Os danos colaterais incluem mais de três centenas de mortos e milhares de feridos.
No entanto, tem lugar quarta-feira (10) em Maputo, a cerimónia de lançamento da fase de auscultação pública e na diáspora, para o diálogo nacional inclusivo, evento a ser dirigido pelo Presidente da República, Daniel Chapo.
Um comunicado de imprensa da Presidência enviado hoje à AIM refere que a escolha da data de lançamento resulta do consenso alcançado entre o governo e os partidos políticos signatários do Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo.
A fase que ora se inicia prevê a participação alargada da sociedade civil, partidos políticos, academia e diversos estratos sociais, abrangendo o nível distrital, provincial, central e ainda as comunidades moçambicanas residentes no exterior.
O processo representa um marco fundamental para a consolidação da democracia, da coesão social e da paz em Moçambique, ao criar um espaço de participação inclusiva que visa garantir que as vozes de todos os cidadãos, dentro e fora do território nacional, sejam ouvidas na construção de soluções partilhadas para o futuro do país.
Finda a primeira fase, de três meses, segue a segunda, que inclui a sistematização de todo o material recolhido durante a primeira, o que permitirá elaborar propostas a serem à posterior, submetidas a debate público nacional, para recolher opiniões adicionais e aprofundar a análise dos temas em discussão.
Na terceira fase, as contribuições do debate serão organizadas com o objectivo de construir consensos e elaborar propostas de acordos. As propostas serão apreciadas pelas lideranças dos partidos signatários e, uma vez aprovados, convertidos em iniciativas de lei, serão submetidas à Assembleia da República, o parlamento moçambicano, para a sua aprovação e transformação em lei.
(AIM)
Ac/sg
