Cidade de Maputo prevê vacinar mais de 70 mil raparigas contra HPV
Maputo, 26 Set (AIM) – A Cidade de Maputo vai realizar, de 29 de Setembro a 03 de Outubro, uma campanha de vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV), dirigida a raparigas com idades entre 12 e 18 anos, como parte da estratégia global de eliminação do cancro do colo do útero.
A informação foi partilhada esta sexta-feira (26), pelo chefe do Programa Alargado de Vacinação (PAV) da cidade de Maputo, Alberto Chambala, tendo referido que a iniciativa visa imunizar cerca de 78.442 raparigas nesta faixa etária.
“Moçambique introduziu a vacina contra o HPV em 2021 sob um regime de duas doses. Entretanto, em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou a administração em dose única, e o país ajustou o calendário vacinal, em alinhamento com as metas globais de eliminação da doença”, explicou.
De acordo com Chambala, o cancro do colo do útero representa um dos maiores desafios de saúde pública em Moçambique, tendo sido notificados 5.456 novos casos e cerca de 4.000 mortes em 2022, sobretudo em mulheres vivendo com HIV, cujo risco de desenvolver a doença é seis vezes maior.
“A vacina que utilizamos é quadrivalente, prevenindo contra quatro tipos do vírus, incluindo os de maior risco, 16 e 18, responsáveis por cerca de 95 por cento dos casos. A vacinação é prioritária para raparigas porque esta forma de cancro é a mais frequente e mortal”, sublinhou.
Já o médico-chefe, Hortênsio Faria, destacou que o HPV é transmitido principalmente por via sexual, existindo mais de 200 tipos do vírus, sendo os tipos 16 e 18 os mais associados ao desenvolvimento do cancro do colo do útero.
“A vacina é segura, não há relatos de efeitos adversos graves, e é altamente eficaz, prevenindo mais de 90 por cento das infecções. Ao vacinar as mulheres, indirectamente também protegemos os homens, porque reduzimos a circulação do vírus na população”, afirmou.
Faria revelou que, no primeiro semestre deste ano, 2.097 mulheres foram rastreadas na cidade de Maputo, das quais 377 testaram positivo para o HPV, que corresponde a uma taxa de positividade de 18 por cento.
Segundo o clínico, a detecção tardia continua a ser um dos principais entraves no combate à doença.
“O HPV não causa directamente a morte, mas é o principal factor de risco para o cancro do colo do útero. Infelizmente, a maioria dos casos é diagnosticada em uma fase tardia, quando já existem sintomas e as opções de tratamento são limitadas. É por isso que o rastreio precoce e a vacinação são fundamentais”, advertiu.
A campanha será levada a cabo em todo o território nacional, através de brigadas móveis em escolas primárias e secundárias, universidades, mercados, terminais de transporte e unidades sanitárias. Paralelamente, decorrem acções de sensibilização comunitária envolvendo rádios, televisões, líderes religiosos, comunitários e praticantes de medicina tradicional.
“Esperamos vacinar mais de 97 por cento das raparigas nesta faixa etária. A vacina será gratuita e representa um investimento crucial na saúde das nossas jovens e no futuro da nação”, concluiu.
(AIM)
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