Maputo, 29 Set (AIM) – O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique (BM) reunido esta segunda-feira em Maputo, decidiu reduzir a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, de 10,25 % para 9,75.
O governador do Banco Central, Rogerio Zandamela, explica que a medida decorre, essencialmente, da manutenção das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, reflectindo, em parte, a estabilidade da taxa de câmbio e a tendência favorável dos preços internacionais de mercadorias, não obstante a prevalência, a nível doméstico, de elevados riscos e incertezas associados as projecções.
As perspectivas da inflação mantêm-se em um dígito no médio prazo.
“Em Agosto de 2025, a inflação anual fixou-se em 4,8 %, após 4,0 % em Julho. A inflação subjacente, que exclui frutas e vegetais e bens com preços administrados, aumentou ligeiramente”, disse o governador.
A manutenção das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, reflecte, essencialmente, a postura da política monetária, a estabilidade do Metical e a tendência de redução dos preços internacionais de mercadorias.
Para o médio prazo, excluindo o gás natural liquefeito (GNL), perspectiva-se um crescimento económico moderado.
Já no segundo trimestre de 2025, excluindo o GNL, o produto interno bruto (PIB) contraiu 1,7 %, após 4,9 % no trimestre anterior. Quando incluído o GNL, o PIB contraiu 0,9 %, após 3,9 % no trimestre anterior.
Segundo Zandamela, no médio prazo, antevê-se uma recuperação gradual da actividade económica. excluindo a produção do GNL, favorecida, em parte, pelas perspectivas de implementação de projectos em áreas estratégicas”.
Enquanto isso, “a pressão sobre o endividamento público interno continua a agravar-se, com impacto no funcionamento normal do mercado de títulos do Estado. A dívida interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 454,4 mil milhões de meticais (cerca de 7,1 mil milhoes de dólares ao câmbio corrente), o que representa um aumento de 38,8 mil milhões em relação a Dezembro de 2024”.
Zandamela adverte que os riscos e incertezas associados as projecções da inflação mantêm-se elevados. “Destacam-se como prováveis factores do aumento da inflação, no médio prazo, os impactos do agravamento da situação fiscal, num contexto de crescentes desafios para a mobilização de recursos financeiros para o Orçamento do Estado, dos choques climáticos e da lentidão na reposição da capacidade produtiva e da oferta de bens e serviços”.
O CPMO continuará com o processo de normalização da taxa MIMO no médio prazo, porém em magnitudes moderadas. O ritmo e a magnitude continuarão a depender das perspectivas da inflação, bem como da avaliação dos riscos e incertezas subjacentes as projecções do médio prazo.
(AIM)
sg
