Representante da OMSA para a África Austral, Moetapele Letshwenyo e o Secretário de Estado da Agricultura, Ambiente e Pescas, Momade Juízo (direita)
Maputo, 07 Out (AIM) – Moçambique recebeu uma doação de 100 mil doses de vacina contra a raiva, oferecidas pela Organização Mundial para a Saúde Animal (OMSA), no âmbito dos esforços nacionais para eliminar a doença até 2030.
A iniciativa integra a meta internacional “Zero by 30”, que visa eliminar mortes humanas por raiva até a data referida.
O acto de entrega foi conduzido esta terça-feira (07) pelo director nacional adjunto de Sanidade e Biossegurança, Aníbal Chilundo, que agradeceu à OMSA pela “generosidade da doação” e afirmou que o gesto “traduz a confiança na capacidade nacional e consolida a cooperação com os nossos parceiros”.
Segundo Chilundo, a oferta representa 28,5% das necessidades anuais e permitirá poupar “cerca de 80 mil dólares do erário público”.
“Mais do que números, estas doses significam campanhas que chegam mais longe, cães protegidos, crianças seguras e vidas salvas”, afirmou, acrescentando que o Governo planeia adquirir ainda este ano entre 305 mil e 350 mil doses adicionais para reforçar a estratégia nacional de prevenção.
Antes da doação, o país dispunha apenas de reservas limitadas para emergências. Chilundo explicou que essas reservas foram accionadas recentemente em Tete, e que a entrega permitirá expandir a vacinação em cães e gatos nas províncias de maior risco e noutras regiões.
“Com esta doação, podemos ampliar os esforços do Governo para assegurar que os animais estejam protegidos e que casos de raiva não representem perigo para a saúde pública”, disse.
Dados recentes mostram que em 2023 ocorreram 31 mortes humanas devido à raiva, num universo de cerca de 200 mil mordeduras. Para 2024, até Junho, já foram registadas 14 mortes em aproximadamente 19 mil mordeduras.
Chilundo explicou que o custo total da doação inclui transporte, armazenamento e administração, além do valor da vacina. Destacou ainda que Moçambique é membro activo da WOAH, que presta assistência técnica contínua aos seus países membros.
“A raiva continua a ser uma preocupação grave e a vacinação é a medida mais eficaz para salvar vidas”, frisou.
O representante da OMSA para a África Austral, Moetapele Letshwenyo, afirmou que a doação simboliza “uma pequena apreciação ao Governo de Moçambique” e reforça a cooperação técnica existente.
“Não é a primeira vez que apoiamos o país. Em 2022 doámos 50 mil doses, que foram bem utilizadas e reportadas. Isso catalisou maior procura de vacinas e mostra o compromisso de Moçambique na luta contra as doenças animais”, disse.
Letshwenyo garantiu que a OMSA continuará a apoiar Moçambique em programas de erradicação de doenças com impacto global, incluindo a raiva e a peste dos pequenos ruminantes (PPR).
“Queremos eliminar a raiva mediada por cães até 2030. Esta doação é uma forma de contribuir para esse objectivo comum”, concluiu.
No mesmo evento, o Secretário de Estado da Agricultura, Ambiente e Pescas, Momade Juízo, reafirmou o compromisso com a erradicação da PPR até 2030, no quadro da Estratégia Global adoptada pela FAO e pela OMSA.
“Este encontro representa um marco fundamental para o futuro da produção pecuária, para a segurança alimentar e para o desenvolvimento socio-económico da nossa região. A integração regional é mais do que uma aspiração política, é uma realidade prática para proteger os meios de subsistência das populações”, afirmou.
Segundo Juízo, a erradicação da PPR “exige acção coordenada, vigilância partilhada e uma resposta estratégica conjunta”, lembrando que a doença é transfronteiriça e que “nenhum país isoladamente pode vencer este desafio”.
Na região da SADC existem mais de 50 milhões de pequenos ruminantes, essenciais para a renda familiar e segurança alimentar.
“Para muitas famílias, especialmente mulheres e jovens, as cabras e ovelhas representam mais do que animais: são o banco, o seguro e a base da resiliência familiar. A PPR ameaça directamente este capital”, alertou.
Juízo reafirmou os compromissos de Moçambique no reforço da vigilância epidemiológica, partilha de dados sanitários, capacidade laboratorial e na mobilização de financiamento e infra-estruturas de quarentena.
“Erradicar a PPR até 2030 é um imperativo moral e económico. Temos as ferramentas e a experiência de outras vitórias, como a erradicação da peste bovina. Agora precisamos de vontade política e acção coordenada”, concluiu.
(AIM)
NL/sg/
