Gilberto Botas, Director do Programa de Apoio à Reforma do Ensino Técnico-Profissional (PRETEP PLUS)
Maputo, 16 Out (AIM) – Cerca de mil formadores do sector agrário nas instituições de ensino técnico-profissional em Moçambique vão beneficiar de formação e capacitação profissional no âmbito do Programa de Apoio à Reforma do Ensino Técnico-Profissional (PRETEP PLUS), financiado pela cooperação italiana, com cerca de 35 milhões de euros.
A informação foi partilhada esta quinta-feira (16), em Maputo, pelo director do PRETEP PLUS, Gilberto Botas, durante o Workshop de Apresentação e Consulta do Estudo sobre Formação de Formadores da Educação Profissional Agrária.
Botas afirmou que “o projecto funciona como actividade-piloto e poderá ser alargado a outras instituições, abrangendo aproximadamente seis mil formadores das áreas industrial, hotelaria e turismo, caso os resultados se revelem positivos.”
O director explicou que o país conta actualmente com cerca de sete mil formadores nas instituições de educação profissional, dos quais cerca de mil estão ligados ao sector agrário e beneficiam directamente do apoio do PRETEP PLUS.
“Temos uma área limitada de actuação, mas esta servirá como actividade-piloto que, se correr bem, poderá ser estendida a outras instituições”, observou, acrescentando que os restantes profissionais distribuem-se pelas áreas industrial, hotelaria e turismo, e alguns exercem funções em sectores agrícolas não directamente apoiados pelo Programa.
Botas destacou que o PRETEP PLUS “tem como missão principal apoiar a reforma do ensino técnico-profissional iniciada em 2006” e que o workshop “visa criar as condições para a capacitação de formadores nas áreas da agricultura e da hotelaria e turismo”.
“Desejamos contribuir para reforçar as actividades que a Direcção Nacional de Educação Profissional vem desenvolvendo, na perspectiva de uma estratégia mais ampla de formação de formadores”, sublinhou.
Segundo Botas, o Programa desenvolve três consultorias orientadas para o reforço da formação de formadores e a melhoria da qualidade do ensino técnico-profissional.
“Uma das consultorias diz respeito à formação de formadores na área da hotelaria e turismo. Para a agricultura, existe maior oferta de instituições, e desejamos que uma instituição de ensino superior possa assumir a responsabilidade pela formação. Veremos o que a consultora propõe”, acrescentou.
O responsável destacou ainda a parceria com a Universidade Eduardo Mondlane, que deverá participar na formação de formadores de hotelaria e turismo no centro de Inhambane.
Botas referiu também a intenção de reintroduzir a mecanização agrária como área prioritária, aproveitando as infra-estruturas do Instituto Pedagógico do Umbelúzi (IPU), em Boane, instituição de referência na formação técnico-profissional do sector agrário em Moçambique.
“O desafio que temos consiste em assegurar a qualidade da formação, mediante a capacitação dos novos formadores e a actualização dos que já existem”, declarou.
Por sua vez, a directora nacional adjunta do Ensino Técnico-Profissional, Alexandrina Novele, afirmou que o PRETEP PLUS constitui “uma prova do esforço do Governo para garantir justiça e igualdade de oportunidades a todos os formadores, no desiderato da qualidade da formação”.
“Dispomos de instituições na área industrial que formam formadores e teremos igualmente na área da hotelaria e turismo. Mas, dado que esta actividade-piloto abrange também a área agrária, necessitamos de facto de possuir instituições, políticas e estratégias bem definidas para este sector”, observou.
Novele esclareceu que o trabalho em curso irá alimentar a nova Estratégia da Educação Profissional 2026–2036 e a Política do Professor, recentemente aprovada.
A responsável frisou ainda que o Programa se encontra em execução desde 2023, com término previsto para 2027.
Segundo o consultor da ENAIP NET ( empresa social consorcial italiana de formação profissional), Samuel Manjea, o PRETEP PLUS visa alcançar até 27 mil beneficiários, incluindo directos e indirectos.
“Os beneficiários directos são os formandos que frequentam os cursos prioritários do sector agrário e da hotelaria e turismo”, explicou.
Os beneficiários indirectos incluem funcionários dos institutos, técnicos, gestores, outros profissionais envolvidos nas actividades do Programa e os centros de emprego, ligados ao Instituto Nacional de Emprego (INE), que também são apoiados pelo PRETEP PLUS.
Manjea acrescentou que “o PRETEP PLUS tem duração de cinco anos (2023–2027), com financiamento de cerca de 35 milhões de euros, providenciado pelo Governo Italiano. O Programa está estruturado em três lotes, cada um com responsabilidades específicas, desde estudos preliminares e identificação de instituições, até à capacitação de formadores e apoio à gestão e sustentabilidade das instituições beneficiárias.”
O encontro contou com a participação de representantes de institutos técnicos, universidades e parceiros de cooperação, e teve como objectivo analisar os resultados de uma consultoria contratada para propor um modelo de capacitação de formadores e estratégias de reforço do ensino técnico-profissional.
(AIM)
NL/ sg
