Coordenadora nacional do Programa de Fortificação de Alimentos (CONFAM), Eduarda Mungoi
Maputo, 23 Out (AIM) – Cerca de 70 por cento dos alimentos disponíveis no mercado moçambicano obedecem aos parâmetros de qualidade definidos para a sua fortificação.
A informação foi partilhada esta quinta-feira (23), em Maputo, pela coordenadora nacional do Programa de Fortificação de Alimentos (CONFAM), Eduarda Mungoi, à margem do Workshop de Divulgação dos Resultados do Pull Strategy em Monitoria do Mercado por Organizações da Sociedade Civil.
“Os resultados mostram que 100 por cento dos produtos recolhidos apresentaram fortificação, e cerca de 70 por cento estavam adequadamente fortificados”, explicou.
O estudo envolveu a recolha de amostras de farinha de trigo, óleo alimentar, açúcar e sal nas províncias de Maputo, Sofala e Nampula, abrangendo mercados tradicionais e grandes superfícies.
“Alguns produtos, importados ou nacionais, não estavam a fortificar de forma adequada, com variações de cerca de 30 por cento, mas este é um bom indicativo do esforço que está a ser feito pela indústria”, acrescentou.
A responsável destacou ainda que a recente revisão do Decreto sobre a Fortificação de Alimentos, aprovada a 14 de Outubro pelo Conselho de Ministros, “vai acelerar a implementação do programa, ajustando-o à nova realidade de descentralização e crescimento institucional”.
Mungoi enalteceu o papel da sociedade civil e das organizações parceiras, nomeadamente a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) e a Pro-Consumers, pelo “esforço abnegado durante o estudo das marcas e a recolha de amostras”.
Sublinhou, por último, que o estudo reforça a necessidade de conjugação de esforços entre Governo, sociedade civil e sector privado para consolidar a implementação eficaz da fortificação alimentar no país.
A participação da sociedade civil foi reforçada pelo director executivo da Pro-Consumers – Associação para o Estudo e Defesa do Consumidor, Alexandre Bacião, que sublinhou a importância do estudo para a protecção dos consumidores.
“É uma honra participar deste estudo e dos esforços do Governo para manter o mercado saudável. A nossa participação garante que os direitos dos consumidores à saúde, à vida e à qualidade dos produtos sejam respeitados”, afirmou.
O dirigente acrescentou que a Pro-Consumers “está disponível para apoiar futuras iniciativas, especialmente no acompanhamento das marcas que não cumprem os parâmetros de fortificação. Este trabalho conjunto é essencial para um mercado seguro e transparente”.
Já a representante do UNICEF, Lara Machuama, destacou a relevância do estudo para a nutrição no país. “A fortificação de alimentos é uma das estratégias mais eficazes para prevenir deficiências de micronutrientes, especialmente entre crianças, e depende da qualidade e conformidade ao longo de toda a cadeia de produção”.
Machuama acrescentou que a monitoria permite “identificar lacunas, reforçar a fiscalização e apoiar os produtores a melhorar continuamente os seus processos” e que os resultados “reflectem a realidade das políticas nas vidas das pessoas, sobretudo crianças, mulheres e populações vulneráveis”.
O evento, organizado em coordenação com o CONFAM, contou com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Iniciativa para a Fortificação de Alimentos (FFI), reunindo representantes da sociedade civil, da indústria e de diversas instituições públicas.
(AIM)
NL/sg
